Lentamente, vem chegando
Dentro desse fim de tarde
Uma lucidez de braços dados com a escuridão
Sombria e serena, ela entra em cena
Sussurra em meus ouvidos algo sobre solidão
Isso arranca-me um sorriso
Tão despeitado e imprevisto
Um sorriso sem graça
De quem só não quer dar o braço á torcer
Mas que, essa noite inteira, vai rolar sobre o chão
Ouço a canção que me diz
Que quase ninguém nesse mundo é feliz
Com tanto amor no coração
Porque pesa e dá falta de ar
Essa é a vida que escolhi para mim, meio que sem querer
Sentir intensamente a dor e o prazer
Deixar de tudo rolar
Desfrutar da inegável densidade do ser
Gostando e gozando até desgostar
Passar a língua no doce e no amargo
Parir uma lua minguando
Enquanto navega, sem lema e sem leme
Viver para além de temer
Usar as teias da tristeza para se aquecer
Ao invés de simplesmente sofrer
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