quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Passarim II

Nos seus olhos verdes me faço
Olhos verdes de pássaro...
Se será ave de rapina
Me ensina a largar sem ver
O coração para sua carneficina
Se será canário a cantar
Me ensina a voar sem saber
A batida desse seu levar
Eu sou presa leve, bem breve... bem breve
Mas tenho o sabor da sobremesa
E se souberes desfrutar
Posso dizer que vai provar
A mais pura delicadeza
Da pureza que não há
Nos seus olhos verdes me refaço
Olhos verdes no espaço...
Se será apenas o espaço
Me ensina a desapegar
Do coração pra sua rotina
Se será o compasso
Me ensina a assim bailar
A batida desse seu bailar
Eu sou presa sagaz, sem gás...sem gás
Simples mas não fácil de capiturar
Posso dizer que vai provar
A mais pura delicadeza
Da pureza que não há

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Meu bem

Meu bem não me traz flores quando chega
Ele traz o seu corpo doído e cansado
Pergunta pelo jantar
E me quer de sobremesa

Meu bem não me faz versos de amor
Ele só canta seu samba arrastado
Diz que anda todo errado
E me beija sem pudor

Talvez por isso meu bem me faça bem
Pois vem trajando sua sinceridade
E quando eu quero despi-lo por inteiro
Eu não me canso, nem me engano também

Talvez por isso meu bem me faça mal
Pois sua beleza é feita de alegria
E quando me toca enfim me contagia
Eu vivo com ele no tempo de um carnaval...

Passarim

Um dia vou pegar carona na asa de um passarinho
E tudo mais vai passar
Vai passar bem de levinho
Eu vou voar lá no alto
E também vou olhar para o chão
Cantar para todas as flores
E ao céu entregar meu coração
Vou passar pela vida
Mas não vou levar essa dor
Pretendo ultrapassar a morte
E, ainda com sorte, zombar do amor
Se um dia por ventura
Vier a me cansar
Só quero seu colo, moreno
Para enfim repousar...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Seja mais sim do que não

Estão anunciando a minha morte
Aos quatro ventos e quatro cantos do lugar
Mas ainda assim confio na sorte
E sigo, freio, continuo sem parafrasear
É que estou tentando essa de amor
Beijando muitos sapos sem parar
Dizem que alguns, como você, são venenosos
Porém, eu vou porque não sei como encontrar
Entorpecida em lábios escorregadios
Mais complico do que esclareço a questão
Não sou daquelas que se preocupam com muitas coisas
Só quero escolher as flores do caixão
Noite de lua e quero ser só sua
Dia de sol e não sei de nada não
Tente levar a alquimia das doses de apego e desapego
Só assim vai segurar na minha mão
Agarre sem pedir na minha cintura
Demonstre loucura e compaixão
Os olhos verdes bem abertos que por vezes fascinam
Devem não se desviar muito da minha direção
Drink me... kisse me... love me...
Nada que precise de explicação
Já te escolhi, escolha a mim
Seja mais sim do que não

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Para Pedro e Oswaldo

O vento entra e quebra xícara dentro da casa
Entra espalhando folhas secas pelo chão
Vai fazendo música quando passa pela asa
Nisso continua enquanto bate no portão
O céu soprando a terra quente
Dia que vai, finalizando devagar
Isso arrepia na pele de gente
É que chuva vem chegando pra apartar

Terra esquentando não atrasa
O povo sai correndo sem chegar
Aflição é sede, o desejo é brasa
Queimando tudo sem saber e sem pesar

A noite se aconchega num céu ainda nublado
Se enrolando nele sem prever
Estrelas suspirando um tanto aliviadas
Por ver a lua iluminando todo querer
Isso arrepia todas as peles enluaradas
Gamadas por sorrir e por gemer

Terra esquentando não atrasa
O povo sai correndo sem chegar
Aflição é sede, o desejo é brasa
Queimando tudo sem saber e sem pesar

O sangue escorregando pela veia em ventre
Estraga tudo e põe pra funcionar
Combustível e embriaguez do corpo eficiente
Por vezes congela mas também pode acelerar
Segue gotejando de forma surpreendente
Pra salvar, condenar, viver e matar

Terra esquentando não atrasa
O povo sai correndo sem chegar
Aflição é sede, o desejo é brasa
Queimando tudo sem saber e sem pesar




segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Gargalhando com os deuses

Eu canto a alegria e o verão
Mesmo quando há tristeza em outra estação
Chorar quando é de chorar
Sorrir quando é de sorrir
Que a vida não é só chegar
Que a vida não é só partir
Cometamos a sensatez de deixar fluir
Quando não dá pra remar
E a correnteza seguir...
Que o rio também corre lá
Como ele corre aqui em mim
Por mim, enfim
Eu bebo das fontes do mundo
Seja em estreito raso ou largo profundo
Sou o seu avesso e o avesso inverso
Por isso, tão sem endereço
Minha casa é o universo
Não entenda como arrogância
A descrição desse contexto
Quando digo que quero tudo
E tudo mereço...

Constatação

Pra que insistir na dor de cotovelo
Se ainda restam mil partes
Do pé à raiz do cabelo
Eu não te perdi...
Mesmo quando estava aqui
Você nunca foi meu
Então ninguém ganhou ou perdeu
Só demorou a constatação
Agora deixar disso, largar mão
Volta pra você sem ilusão

Pra que desistir do amor
Se ainda restam mil pétalas
Formando flor em flor
Eu não vou desistir...
Mesmo quando te vejo partir
A vida sempre continua
Então cada um na minha ou cada um na sua
Só festejando a sensação
Agora tudo é isso, nada em vão
Volto pra mim sem ilusão

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Um samba

Quis fazer um samba
Um samba eu quis fazer
Que é pra sambar
Ao invés de morrer

Quis fazer um samba
Daquele bem alegre
Falar de um infeliz amor...
Só que de forma bem leve

Quiseram muito falar
De fazer samba para mim
E quando peguei no tamborim
O meu coração já tocava assim...

Tum tum, tum tum
Turum tum tum
Tum tum, tum tum
Turum tum tum

Mas hoje me deixam em paz
Pois perceberam que
Quando você faz samba
O samba te faz

E o samba calou a voz dessa dor
Fez ela sorrir e dançar
Com o coração
Querendo mais amor...

Tum tum, tum tum
Turum tum tum
Tum tum, tum tum
Turum tum tum

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Para Ana Cañas

Você e todas essas rimas
Não percebeu que toda mulher é linda
Umas mais, outras menos
Depende dos momentos, depende dos momentos
E os momentos são tudo
Eu tenho que ser mais pra você
Eu tenho que ser mais...
Tenho que ser interessante pra você
Tenho que ser, tenho que ser
Mas eu não sou...
Mas eu não sou não... não sou
Vai passar a impolgação
Esquecer a exclamação
Se perder nas ambíguas reticências
Quanto a isso não vou mais lutar
Os segredos vou deixar guardar
Entre vírgulas, junto com todas as evidências
Que eu sou mulher... eu sou... mulher
E isso é de que é linda por ser
Mulher...


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Para Roberta Sá

Quando me visto de pele e mergulho no azul
Eu sou o infinito e o Cruzeiro do Sul
Alguns acham bonito
Outros, só muito cru
Para alguns soa samba
Outros, maracatu...

Quem é esse?
Que me veste de mar
Quem é esse?
Que me faz suspirar
Quem é esse?
Que sabe flutuar
Quem é esse?
Que mora num luar

A morena dançando
Sentindo o batuque que só ela entende
E a morena curtindo é
Entendo o batuque que só ela sente
É tanta liberdade
Que toda a cidade vai lhe aplaudir
Tanta felicidade
Que toda essa gente se põe a sorrir

Quem é esse?
Que me veste de mar
Quem é esse?
Que me faz suspirar
Quem é esse?
Que sabe flutuar
Quem é esse?
Que mora num luar

Olha o menino faceiro
Jogando com a isca e o anzol
Ele é namoradeiro
E pesca morena para seu lençol

Quem é esse?
Que me veste de mar
Quem é esse?
Que me faz suspirar
Quem é esse?
Que sabe flutuar
Quem é esse?
Que mora num luar

Olha a menina faceira
Que roda a saia no ar
Ela é namoradeira
E arrasta olhares no seu calcanhar

Quem é esse?
Que me veste de mar
Quem é esse?
Que me faz suspirar
Quem é esse?
Que sabe flutuar
Quem é esse?
Que morar num luar

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Entendendo Almodóvar

Se por acaso amanhecer chovendo
E o dia for cinza se fazendo
Ata-me na tua cama...
Se amanhecer um dia de sol
Que esquente muito o lençol
Ata-me na tua cama...
Se preciso for trabalhar
Sei que precisa também estudar mas
Ata-me na tua cama...
Seja pelo mais puro amor
Ou seja apenas pelo o que for
Ata-me na tua cama...
Por mais que lá eu seja a melhor
Ou simplesmente não saiba do pior
Ata-me na tua cama...
Querendo me amar um pouco mais
Ou desejando que te deixe em paz
Ata-me na tua cama...
Pois estando lá descobri
Uma forma natural de o tempo parar
No exercício insaciável
De enfim se saciar

domingo, 6 de setembro de 2009

Nós na rede

Não complique agora não
Não meu coração, não
Se aquiete nesse silêncio macio
Enquanto a lua se espelha no chão
Deixa a língua se mexer
Saboreie a sensação de mexer
Se permita não pensar agora
Não tenha nada pra dizer
Quando a gente fica assim
Experimentando novas formas de expressão
O mundo fica muito mais leve
Num minuto breve ele voa
E vem pousar na palma da nossa mão
Nada mais será ruminado, dor ou amor
Nada além de grama
Tudo mais será digerido naturalmente
Ao cinema fica reservado todo drama
Nasce a paz, uma flor transparente
Salve o mundo baby!
Com um sorriso bem grande
Ele vai iluminar a todos
Que como eu te olhem nesse instante
E sintam vontade de sorrir também
Para todo sempre amém

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sobre mar

Falo que não espero mas ainda estou no cais
Rezando em silêncio pro mar te trazer pra mim
Dizem que o que as ondas levam não retorna jamais
Minha fé, porém, não se importa e pede mesmo assim
Pois seus braços foram feitos de tão fortes
Só pra ficar enrolados em volta do corpo meu
E seus olhos de horizontes podem estar azulejados
Salgados, só choram quando me dizem adeus...
Moreno sei que você é do mar, de Janaína, de Iêmanjá
Sei também que você é meu
É tão dela que mal chega e já volta saindo pra pescar
E tão meu que o coração me prometeu
Então se o vento na vela soparar, reza também pra não demorar
Que estou te esperando na areia mesmo se você não voltar

sábado, 22 de agosto de 2009

A igreja assiste o sol se por nas montanhas
Ele vai se deitar pra dormir, o mundo vai imitar
Mas a igreja só olha ficando acordada a noite toda
Ainda estará quando o sol se levantar
Assim também é quem tem um amor
A eterna vigília do querer bem
Enquanto um dormi tranquilo, na rotina
Outro, sem querer consciente, acordado se mantém
Tentando fazer tudo simplesmente funcionar
Para a hora feliz de seu bem acordar...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Intimação

Meu nego diz que anda cansado do batuque
Talvez não seja nada disso
Talvez seja só um truque
Mas meu coração é de boa, voa atoa
Por isso, não tenho medo de que se machuque
Porém quero cantar pra ele todas essas coisas
Coisas que eu nem sei bem lá o que...

Deixa de falar mentiras
Deixa de dizer verdades
Mergulha de vez no meu corpo que é o seu poço de calamidades

Meu nego fica invisivel sob a luz desses "sois"
Talvez seja assim pra todo o mundo
Talvez seja só entre nós
Mas minhas mãos procuram e sem apertar seguram
Por isso, esquento com ternura os meus lençois
Porém espero que ele saiba de todas essas coisas
Coisas que não sejam impossíveis de saber...

Deixa de falar mentiras
Deixa de dizer verdades
Mergulha de vez no meu corpo que é o seu poço de calamidades

Meu nego sorri com doces palavras entre os dentes
Talvez a doçura esteja nos ouvidos meus
Talvez esteja nos ouvidos de toda gente
Mas gosto de pensar que são pra me seduzir, fazer luzir
Por isso, sempre permito que me deixem contente
Porém desejo sentir no corpo todas essas coisas
Coisas prováveis ou pouco prováveis de fazer...

Deixa de falar mentiras
Deixa de dizer verdades
Mergulha de vez no meu corpo que é o seu poço de calamidades

sábado, 8 de agosto de 2009

Feitiço

Passei a tarde colhendo flores
Vestindo cada um dos perfumes
Imaginando mil e um amores
Zombando de seus costumes
Quando encontrei os seus olhos
Guardei-os em minha alma
Mal sabia que ali trocava
Sentimentos secretos por minha calma
Não mais colher as tais flores
Nem ter vontade de cheirar
Vivo agora zombando de amores
Virou costume imaginar
Acho que é feitiço
E quem me jogou foi aquele mestiço
Passou e deixou a alma em rebuliço
Coração deu enguiço
Precisa concertar
Vem aqui seu mestiço!
Não faça mais isso...
Ou me tira o feitiço
Ou me leva pra amar
Pensar em você é um vício
Que já não consigo conter
Por isso, ás vezes te ligo
E só então percebo que nada tenho pra dizer
É claro que pareço um bobo
Com reações de adolescente
Mas tudo o que quero é pouco
Se comparado ao desejo de te ter na minha frente
Esses versos tão pobres
São os mais sinceros que posso
E estão tão carregados de verdade
Assim, do jeito que gosto
Será que um dia desses
Chegará a se sentir assim?
Cometendo as bobagens mais simples
Para manifestar uma gastura sem fim?
Será que quando esse dia chegar
Você me encontrará atônito
Totalmente perplexo por encontrar
A cura do amor platônico?
Nunca mais irá ouvir a minha respiração
Ofegando a te ouvir
Antes de cair a ligação
Nunca mais estarei esperando
Qualquer palavra sua
Ou louco estarei suspirando
Olhando para aquela lua
Nunca mais terei os sonhos
Que realmente gostaria de viver
E eu serei apenas eu cá
Sem pretenções quanto ao lá de você
Nunca mais estará nos versos
Ou em minha inspiração
Será que preferes assim
Ou será que não?

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pensando vou te buscar

Se eu escrever seu nome na areia, na beirada do mar
E se apesar da maré que vai e vem ele não se apagar
O que será que será que isso quer dizer?
O que será que será que isso significa pra você?
O sentido é a gente que dá, a gente que tem
Mas não quero mais ter que explicar pra ninguém
Pode ser de complicar, não de entender
Se eu olhar uma estrela e cismar que você vê também
E por isso te ligar meia noite comovido como neném
O que dizer se você me atender?
O que fazer se desligo e você retornar?
O impulso que a gente dá, a gente que tem
Mas não quero ter só isso pra acordar alguém
Pode simplesmente acontecer, o que se há de fazer
Será que tem isso, esse meu amor?
Será que tem isso não?
Se nem seu devaneio me acompanha
E seu impulso não me mira...
Acho que estou mesmo no centro da solidão
Esse outro país ou cidade distante, essa ilha

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Só porque acordei hoje enjoada
Precisando muito mesmo de uma coca-cola
Fico meio aborrecida por saber
Que esse fim de semana você vai viajar
Não que eu pretendesse te encontrar
Mas, no fundo, nada tem mesmo haver
Só sei que você vem para eu me sentir melhor
Olha que eu nem sei como faz
E de repente, brotam sorrisos
Onde antes haviam somente dentes áridos
Olhos vão se enchendo de cor e bochechas corando de calor
Tudo vai esquecendo seus tons pálidos
Deixo o sol entrar, deixo o céu entrar, deixo o mar entrar
A vida parece seguir suave quando me toca

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Tudo de bom

Boa noite!
Que essa noite só é noite
Porque diz que é noite não
Vai ficando, até que chegue um dia
Bom dia!
Que esse dia só é dia
Porque diz que é dia não
Vai raiando, até que chegue a hora
Boa hora!
Que essa hora só é hora
Porque diz que é hora não
Vai passando, até que você chega
Você é bom!
Que só é você e você
Porque diz que você não pode ser
Vai querendo, até que chegue amor
Bom amor!
Que esse amor só é amor
Porque diz que amor não é
Segue amando, até que tudo mais chegue
Tudo de bom!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Para o dindo

É sopa!
Eu me derreto toda, eu me derreto toda...
Basta tu me sorrir um pouquinho
Me acena de lá com um carinho
Vem se aproximando, mansinho
Como um bicho pra comer na mão
É sopa!
Eu me derreto toda, eu me derreto toda...
Basta tu esquentar um cantinho
Me falar o que quer com jeitinho
Vem pedindo e dando beijinho
Como um sabe tudo, dom Juan dos bons
É sopa!
Eu me derreto toda, eu me derreto toda...
Um dia me disseram que eu era dificil demais
Apenas respondi: É moleza meu rapaz!
Meu coração é como de qualquer moça
Só difere na proporção: de mar pra poça
É sopa!
Eu me derreto toda, eu me derreto toda...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ella

Rubra, carne...
Vermelha intensa viva
O sangue que jorra quer dizer
Sou quente e fulgaz
Sangue que percorre artérias, veias
Vai parar nos olhos que lhe veem
Olhos que só querem lhe dizer
Mas não se engane
Sou quente e fulgaz
Ainda mais quando me bate
Com requentinte de um batuque
Vou nesse baque
Faço funcionar o que se diz coração
E tudo vai funcionando atrás
Cheia de ritmo, no balanço das cadeiras
Das eiras até as beiras
Dança que dança na dança
Vai e diz que vai e também
Nas coisas que diz que vem
Seja na asa do avião, via sedex no cartão
Seja chegando no trem
Eu sou, estou e vou
Em tudo que já escutou
Nas letras de qualquer canção
É brisa! É furacão!
Rubra, carne viva...
Valentia pura e dolorida
Na aventura de existir dia após dia
Sob sol e chuva, sereno e lençol
Rubra carne viva de mulher

sábado, 6 de junho de 2009

Saiba

Criaturinhas de deus andam por aí
Rolando na relva, brincando na selva
Voando cruzam os céus e o infinito
Vejam como tudo é tão bonito!
Criaturinhas de deus são elas, vocês e eu
E todos vivemos por lá e por aqui
Isso porque todos somos parte desse deus
Que dessa maneira não diz olá nem adeus
Tudo está sempre por todo o lugar
Não tema, seja feliz
A realidade?
A realidade é que todo mundo se sente sozinho
E ninguém está sozinho nesse mundo
Existe a necessidade de se sentir único, autêntico, singular
Quando tudo o que fazemos é plural, compartilhado, coletivo
Nessa fantasia de solidão, na verdade, não queremos estar
Pois o que fazemos senão procurar companhia?
Tentamos encontrar alguém que esteja perto, encontramos
Mas, não satisfeitos, procuramos quem esteja bem perto
O que com algum esforço encontramos e, a partir daí,
Passamos a procurar alguém que esteja perto demais
Difícil...
Ainda mais que essa questão de distância é tão relativa
Que determinar o grau de proximidade passa a requerer
Uma seleção de critérios
É! Seria bem mais fácil aceitar que não se está só
As pessoas e as coisas que as pessoas fazem estão ao nosso redor
Bastar abrir olhos, ouvidos, braços, pernas, boca e nariz
Deixar-se inundar de presença como uma casa em festa
Tão somente abrir as portas...
Talvez você não precise do que acha que precisa
Talvez essa falta que sente seja um engano
Talvez o exercício de dar seja o exercício de receber
Se puder perceber que não precisa ganhar exatamente o que deu
Já que suas necessidades são outras...
Talvez a dor seja mesmo inevitável e o sofrimento seja mesmo opcional

quarta-feira, 27 de maio de 2009

De janeiro a janeiro

Será da natureza de mulher se sentir abandonada?
Será que passam a vida procurando quem as abandonará?
Presenciam o fim, antecipando-o apartir dessa conclusão
Ou vivendo-o plenamente em qualquer confusão
Sangram na metáfora tanto quanto na vida real
E será pode ser considerado um destino especial?
Nessa lua, não posso admitir que essa seja a verdade
De um será que será...
Pois mergulho nas trevas da noite para me descobrir
Mas a lua e eu precisamos de um sol pra brilhar
Irradiar a felicidade em suas pequenas faíscas
Só ser, nem otimista e nem pessimista
Acreditar que será bom...
No tom certo pra tocar o tempo inteiro
Doce sem passar do ponto...
Pra comer o tempo todo, de janeiro a janeiro

segunda-feira, 25 de maio de 2009

About song

Deixe-me começar de novo
Para que esse caso tenha um novo fim
Não estou feliz
Quase por um triz, basta olhar pra mim
Vê se deixa desse jogo duro
Se atira no escuro, não olha pra trás
Palavras que servem pra qualquer um de nós
Mas quando estamos sós, tanto faz
Não quero fracassar aqui
Você pode até sorrir contanto que colabore
Já afundei tantos amores
Depois dessas dores não espere que eu implore
Mesmo que eu concorde
Talvez sem que recorde, esse é o décimo pedido
Evite o gastar os meus joelhos
Escute esses conselhos ou estarei perdido
Nada de parar agora
Ainda não chegou a hora dessa despedida
Se vai embora
Da porta pra fora, qualquer dia, te encontrarei perdida

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Azuis

Quando eu puder saber que ainda sou mulher
Mesmo parecendo um instrumento de trabalho qualquer
Hei de estar repousando nos braços seus
Exalando o amor de sonhos meus
Então vou dizer que te amo da maneira que encontrar
Seja em um suspiro ou num sorriso
Seja em sono manso ou um breve cochilo
Você irá prazerosamente saborear
A doçura infinda do meu gostar de gostar de você
Até posso prever a sua ingênua pretenção
Sentindo na palma da mão pulsar o meu coração
E num compasso sincopado descobriremos que
Amor rimar com dor é sintoma de perfeição
Tudo aquilo que se diz cabe no que não se diz
O fato de nem tudo poder ser realmente dito
Deixa tudo mais bonito, como uma consequência feliz
Os olhos ficam brilhando enquanto te olho
Como receptáculo de luas oscilando pelo céu
Ora minguando mágoas, ora cheias de mel
Quando as ruas da cidade me atravessam transversalmente
Tudo me passa na velocidade dos carros
Minto que não penso nessas coisas e, para isso,
Penso e repenso mesmo inconclusivamente
Todo horizonte é belo, assim será
E quando nossa paixão se encontra nas entranhas dele
Estranhamente ganha tons de amarelo-cinza
Escurece ou se ilumina mas certamente anoitecerá
Ciranda de cores, sons e movimentados sentimentos
Rodando sempre,fazendo tudo mudar
O que ali existe vai se espalhar a favor dos ventos
Para germinar idéias nesse e aquele lugar
Ainda assim não percebemos
O quanto de nós isso tudo vai levar
Então a gente vai do jeito que acha que dá
Só queria dizer que estou chegando, nego
Rezando pra que esteja a me esperar
Como e quando, por favor, desconsidere
Não permita que nenhum fator possa nos derterminar
Que seja deliberadamente nossa determinação
O que aconteça ou não
Fogos de artifício que bricam em nossos corpos
Iluminando a noite e carbonizando tudo
Até que fique louco, cego, surdo e mudo
Até que me percam o controle e a satisfação
Como um peixe fisgado
Sei do anzol, vou e como mesmo assim
Nesse morro que não morro fica complicado
Será que vai me soltar, prender ou comer?
Se a gente se tortura, melhor andar por aí.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sereno

Só a noite vem chegando
Uma hora de cada vez
A gente fica com um pé atrás
No minuto que jaz
E um pé embarcando também
No minuto seguinte que vem
Gente está por todo lugar
Sempre existindo até que
Esse nunca enfim aconteça
Nem que seja só na nossa cabeça
Numa questão de concepção
Pra lembrar que o sol nascerá
Amanhã e depois de amanhã
Um novo dia virá
Pra se parecer com os outros
Ou pra ser algo de novo
Ninguém sabe como será
No meio de tanta incerteza
Nossa natureza se vira como pode
Lágrima derramada
Por quem vê tudo
Por quem vê nada
O peito explode
Como galaxias e estrelas
Então como não tê-las?
Pensei quando vi ela chegar
Toda em flor, mal de amor
Com o rosto orvalhado
Disfarçado por não disfarçar
Diz que é sereno da madrugada
De quem frequenta a batucada
E ninguém te vê chorar
Quem vai imaginar?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Caminho

Meu caminho é raso
E ele só arrasa quando o tempo passa
Ele não tem volta
Sendo assim, da voltas
E nunca que nunca para
Meu caminho é de sol
Meu caminho é de chuva
E ,além disso, ele enlua
Está debaixo de um céu
Sempre banhado por mar
E, mais de um milhão de vezes,
Vento sopra
Meu caminho desperta
E, as vezes, vai dormir
Mas se nega a indicar direção
Entre ficar ou partir
Ele me leva pro sim
Até que alcance o não
Percorre esse mundo todo
E está na minha mão
Meu caminho me leva pra ti
Meu caminho te deixa pra lá
De repente, dispara a fugir
Sem saber pra onde levar
Deixa eu te convidar pra seguir?
Deixa eu seguir, pra te convidar...

sábado, 2 de maio de 2009

Por uma vida mais ordinária

Chega de me fazer sofrer
Não vou mais ouvir dizer
Como sentem dó de mim
O dinheiro é curto, o tempo é pouco e o cansaço é sempre
Mas desde cedo sabia que seria assim
Trabalho demais, me canso demais e gasto demais
Como tanta gente faz
Agora assumo o compromisso de me deixar em paz
Afinal, também somos animais
Acontece que ainda estamos aqui
Debaixo do azul desse maravilhoso céu
Basta ter sol pra esquentar a praia que tá lá
Coberta pelo mar, que se faz de véu
E quando a vontade bater na armadura de pedra
Não se faça de forte, não mande embora, não deixe cair
Entenda como uma ordem, abrace
Se obrigue a partir
Nunca esteja lá quando queria estra aqui
Essa é uma campanha sem norma e na manha
Para diminuir a carga ainda que horária
Explicar as vantagens e desvantagens deliciosas
Da mudança por uma vida mais ordinária

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Pelo o que não é, não foi e não será...

Castelos de areia dos sonhos, escorrendo pelas mãos
Sem eles a vida se torna ainda mais difícil
É como caminhar pelo deserto e sofrer bem mais
Perdendo o direito a miragem, doce ilusão
Porque a vida não é feita só de verdades
Acredite, a mentira e a ilusão também são reais
Ocupam o devido lugar na bagagem, de toda viagem
Sejam corriqueiras, quase brincadeiras ou fatais
Quando te imaginei, te vi e te quis
Arrisco a dizer que fui muito feliz
Na expectativa de querer e enfim te ter
Mesmo não concretizando quase nada
Desse mundo construído por sentimentos impalpáveis
Quando você me esquece, sem o vento bom de suas palavras
Nada mais se aquece, florece ou enobrece
Minutos se transformam em horas lamentáveis
O dia desbota aos poucos, sem calor e sem ofegar
A solidão parece maior, ocupa tudo e bate forte
Ás vezes, só a vontade de chorar aparece
Pelo o que não é, não foi e não será

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Nice girl , nice guy...

Caminhando com um salto quinze
Passos firmes e sutis
Nem todas as calçadas são boas
Ruas de tédio latente, ruas de delírios febris
O importante não é saber onde vai chegar
Passa com o mundo no abdomen
Crescendo-lhe e multiplicando
Suga, chuta, pesa, preocupa, implode
Para fazer sentir completo e feliz
Pode ser que os outros nem notem
Na verdade, importa muito essa maneira
Discreta ou indiscreta de mexer os quadris
Me pego querendo que venha sentir
Pegar esse ritmo
Ou a falta de ritmo
Não importa exatamente o que vai pegar
Meu doce garoto quase imaginário
Vamos nos meter numa grande confusão
Você me querendo aos seus pés
Eu te colocando na palma da mão
Sou sua... doce garota quase moça do sonho
Andando sempre em sua direção
Mas como nunca sei pra onde está indo
Procuro não levantar hipoteses sobre a questão
Me toma, me doma, monta e monta e monta
Me pega pela mão

terça-feira, 21 de abril de 2009

Sobre quando você vem....

Vem a tarde depois do dia todo
Vem a chuva depois das nuvens carregadas
Vem a ressaca depois da tempestade no mar
Vem o amanhã e o depois de amanhã
Basta o hoje passar
E quando será que você vem?
Vem depois de uma ou duas horas
Vem depois de se arrumar
Vem no proximo trem
De qualquer forma o trem vai passar
E quanto mais vou esperar?
Sempre um será que será
O que quer muito ser somente o que ali está

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Te quero

Sente meu coração bater
Na palma da sua mão aberta
No meu peito nu
E o desejo aperta

Cola seu ouvido
Se concentra na minha respiração
Reclinando-se sobre mim
E aumenta a pulsação

Te quero aqui
Te quero ali
Te quero lá também
Meu corpo todo diz: Amém!

Entrelaça suas pernas
Como para que medir as minhas
Até que fique dificil saber
E vamos perder a linha

Por fim seus labios nos meus
Sem espaço pra nada
Não dizem olá nem adeus
Ao longo da madrugada

Esse meu nêgo

Quero porque te adoro
Te adoro porque...
Sei não
E sei não
Te adoro porque quero
Quero porque...
Sei sim
Você me olha assim
Eu pego fogo
Esse fogo que me pega
Também olha assim
Pra você
Te convida pra dançar
Pega na sua mão
tentando te queimar
De repente, sou cinza
Mas penso que sou pluma
Repouso no seu corpo
Na segunda, na terça
na quarta, na quinta
ou na sexta parte
Desse secreto coração
Eterno coração
Infinito coração
Com um tempo todo de duração
Pra eu sempre sonhar
E gozar...
Toda alegria, todo marasmo
toda sangria, todo espasmo
Vira para mim e sorria
Simples, fácil
É esse meu nêgo
A quem sempre me dou
e sempre me nego
Até que ele me toma
Me doma e eu
Me intrego

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A menina que não roubava livros

Sabe o que é, digo assim
Até mar de rosas tem tempestade
E a cidade ás vezes é grande demais
Mas fica pequena pra mim
Todas as ruas parecem iguais
Vão dar sempre em lugar nenhum
Se me sento no ônibus
Pela janela tudo me atravessa
De repente, dou o sinal
Mesmo parecendo perdida
Quem senta no assento ao lado sabe
Isso sem problema algum
Hoje eu conheci no espelho
Alguém que a solidão abandonou
Não reconheço não
Só sei que ele não está
Nem me responde mais
E essa suposta paz é só
Mais uma contradição
Quando a lua chega, penso no céu
Assim tudo começa a clarear
Grandes distâncias imperceptíveis
Corpos invísiveis
Coisas que não existem mais e parecem estar lá
Danço no silêncio dessa noite
O outono me açoita em vendaval
Sol sempre vem...
Corpo funcionando em mecanicidade pura
Eterna é presente, passado e futuro
Essa sede expressa de aventura

segunda-feira, 16 de março de 2009

Na minha pele


De repente, você aparece

Olha só o que acontece

Me invade completamente

Como se eu fosse

Um traçado de grafite

Preenchendo-se com giz de cera

Tanta cor,tanta densidade

Sendo riscada com traçado firme

E ficar linda

Não há quem não se anime

Só quero ser a obra

Que nunca vai terminar

Nem que tenha que me lavar toda noite

Te apagar assim

Para que possa novamente se pintar

Em mim

quarta-feira, 4 de março de 2009

Eu não sei ser


Me dê a vida para que eu possa sair de seu poema
Me deixa entrar em cena e me materializar
Não tente resolver esse meu problema
E que não o encare como problema quando o encontar
Deixa eu ser só mais um grande dilema
No qual você pensa mas não quer resolver
Mesmo que me torne a sua dor mais macia
Espero que me sorria e que sinta algum prazer
Eu não sei ser a sua menina
Eu não sei ser sua mulher
Mas te querer é quase uma sina
E sinto que você me quer...

terça-feira, 3 de março de 2009

Sobre um possível engano

Fazendo as malas
Ela coloca as roupas sobre a cama
Sai a procura pelos seus sapatos
Encontra o que já esteve perdido
Reserva espaço pra guardar os discos
E em uma caixa, vai colocando livros
Antes que tudo fique mais vazio
Coisa da qual nenhum dos dois reclama
Saio da casa assim contando passos
Encontro o céu como um amigo
Só, ele vem pra caminhar comigo
De repente, não há no que pensar
Não existe mais nada o que dizer
Acho deve existir algum engano
Já disse á ela que a amo
Ela sabe que eu amo
E entende que a amo
Mesmo assim, ela vai...
Então preciso de outro plano

Por mais que eu feche as portas
E tente vedar todas as janelas
Sempre haverão arestas
Rachaduras, coisas tortas
Das quais ela tem a chave mestra
Nem todas as canções já cantadas
Nem todos os poemas já escritos
Nada mais importa disso
E não deixo de pensar sobre os filmes
Sobre as histórias de romances felizes
Talvez eles sejam um engano
Porque já disse a ela que a amo
Ela sabe que eu amo
E entende que a amo
Mesmo assim, ela vai...
Então preciso de outro plano

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Constatação

Não vou dormir com você
E já sabes até o porque
Quando o dia raiar
Você não vai me amar...
Queria muito não correr
Tanto quanto não querer
E já sabes até o porque
Você não vai me amar...
Só peço que fale disso como possibilidade
Peço que não repita essa sentença
Sozinha eu vou vagar
Você não vai me amar...
Se ainda quiseres minha boca
Lembrando de mim como louca
Sorria mesmo assim
Você não vai me amar...
Por mais que me digas que sim!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Animalesco II


Trocarei de pele

Vou me enfeitar

Como um animal mais natural

Um animal mais animal

Que sob a luz da lua

Enfim se revele

Tentei ser tão polida

Mas cansei

Tentei ser mais bonita

Nem sei

Me escondi como num véu

Queria seu amor

E para meu pavor

Me queria de troféu

Ainda bem que despertei, desisti

Antes que pudesse me domesticar

Eu corri

E nessa aventura, me magoei

Nessa fuga, me feri

Só não chorei

Pois vivi