quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Festim surpresa

Quando uma coisa tem tudo pra dar errado
De repente acontece certo
Respirar se torna formidável e mágico
Assim como quando dá tudo errado
Te encontro por acaso
Parece muito menos trágico
É que a vida deixa a gente pensar
Que o que é surpreendente não é tão bom
Mas é de propósito, é pra surpreender
É pra mudar de tom
E hoje eu queria mudar de tom falando assim
Bem no pé do seu ouvido
Dizer que duvido que não tenha nada pra mim
Que não há porque ficar sempre escondido
Hoje eu seria uma boa mulher pra você querer
Mudaria a minha postura e a pouca compostura
Só pelo nosso simples prazer
Nessa noite vou lamentar muita coisa que dexei passar
No entanto, sem chorar
Ficarei rindo e ruminando na escuridão
Mesmo com um fio de tristeza
Enlaçando o coração
Isso sim pode até te surpreender
Saber ou sentir o quanto não posso te odiar
Que quando amargosa, lanço palavras que contam essa história
Ainda assim, soarão com ternura á quem escutar
Espero outro, quero outro, procuro outro
Por isso, me surpreendo
Quando no quarto escuro me encontro
Com aquele que não tenho e não entendo

Reencontro

Vou ver o mar
Deixar o mar me ver
Ver de verde e mar
Água e sal pra molhar
A saia que me cerca
Que me cuida e me enfeita
Roda enquanto me fazem dançar
Andar com o pé no mar
Onda bate pra alma banhar
Vento no cabelo, na pele
Um zelo de luz do sol
Areia cama e lençol
Horizontes de olhar, barco e anzol
Nesse balanço o conforto do abraço
Abraço de mar, salgado feito lágrima
Que sufoca e afoga
Barcos homens, barcos sentimentos
Afagos de Iêmanjá
Mar que me leva e me lava
Rota de férias e de fuga
Onde o caminho começa e acaba

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Tarde cinza, tédio em brasa, café demais

Os minutos estão sendo contados pelos pingos da chuva
Tudo está mais cinza do que nunca
Parece filme antigo, retrato em preto e branco
E eu bancando a mulher em crise...
Mas, na verdade, eu sei que a verdade é só essa verdade
Que não quero deixar você saber
Juro e acabo fazendo mesmo sem perceber
Quando ela vem me xingar, vem com tudo
Até o que não poderia vir
Me agride com palavras, tons e olhares
O que mata é como ela faz isso sem mentir
Fico nua, diante de mais essa verdade
Me desespero pela impossibilidade de fugir
Porque lá fora... a chuva rola hora afora
E se ela me acertar, vai lavar a alma e da coragem me despir
Então fico dando passos que não vão me levar a nenhum lugar
Faço versos a fio para homens e mulheres que nunca vão me amar
Falo e faço as bobagens para não lhe contradizer
Nem tenho a certeza de que isso é razão pra sofrer
Desde de quando sofrer precisa de razão?
É...
Pensamento as vezes vem como bala de canhão

domingo, 27 de janeiro de 2008

Até que enfim o fim de caso

Ouça o que eu digo
Escreva um livro
Dizendo como você me conhece
Pra ver como todo mundo se reconhece
Mas eu não...
Agora só peço que você não diga
Que eu não gosto da maneira como explica
Meu prazer e minha solidão
Deixa que eu me cuido...
Isso é o que você não suporta
Nunca chorei antes de você bater a porta
E não vou fazer isso agora
Que realmente quero que vá embora
Não deixe o seu telefone e nem anote o meu
Isso seria só uma grande mancada
Porque nunca entendeu minhas ligações de madrugada
Que eram um jeito simples de não morrer
Sem que pudesse perceber
Vou rir se sua mulher me ligar porque você me atendeu
Só não complica
Não fingi que me quer como amiga
Pelo menos uma vez, façamos indolor
Porque isso não é amor
Mesmo assim, não tem explicação

Proposta

Vou te dar a chance de ser seu, menina
Porque quero que me ensine esse jeito de sorrir
Como se o mundo fosse tudo isso
Como se o melhor estivesse por vir
Mas se não chegasse também
Tudo bem... tudo bem...
Que sua felicidade vem, basta o sol abrir
Vou te dar a chance de ser minha, menina
Porque quero te ensinar o amor
Como se ele fosse a arte
Como se ele não fosse dor
Mas se doesse também
Tudo bem... Tudo bem...
Que mesmo assim, a vida teria muito mais cor
Vou me dar uma chance de novo, menina
Porque tudo o que eu quero mesmo é ser feliz
Como se não tivesse tentado, antes falhado
Como se você tivesse sido a primeira, te quis
Mas se não conseguir também
Tudo bem... tudo bem....
Que você me faz ter vontade de ficar por um triz
E sinto que estou á um passo de me apaixonar
Deus proteja
Assim seja

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Samba canção

Acho que morri na tua vida
Então me diga como foi o funeral
Você chorou e carregou o meu caixão?
Ou só acompanhou de longe o pessoal?
De vez enquando carrego corrente na tua casa
Faço um barulhinho pra anunciar minha presença?
Ou estou mesmo é muito bem enterrada
Estou mais morta do que muita gente pensa?
Isso dá samba porque samba é coisa alegre
Isso dá samba porque samba rola á toa
Mas na verdade queria que pegasse leve
Não desejo isso pra nenhuma pessoa
Deixei de existir pra você, saí sem querer da sua vida
Ainda por cima me pego a doer
Enquanto você nem liga
Faço samba, faço hora, brinco e disfarço o rancor
Enquanto a vida te presenteia com outro amor
Não vou chorar porque chorar não adianta
Lágrima milagrosa é só de santa...
Vou é sambar, beber e cantar
Tentar pegar armas com as quais possa te matar
Juro que só seguro a cuíca na mão
Porque mão não é lugar de coração

Aos que suspiram

Um suspiro... e eu piro
Talvez você entenda
Talvez á você dizer não caiba
Talvez você não saiba suspirar
Como suspira as ondas do mar
Debaixo de um céu cheio de estrelas e luar
Assim como suspira o ar
Do vento que corta ruas paralelas
Nos fins das tardes amarelas
Da cidade mais cinza
Suspira a corda ranzinza de um violão
Quando alguém, por qualquer coisa,
Toca uma canção
Para moças que podem ter flores nas janelas
Suspirosas essas, de tantas promessas onde o amor se eternaliza
Ou suspiram por pena, ao contemplar a morte de outras flores
Plantadas no jardim onde pisa
O silêncio da noite é quebrado
Pelo suspiro do nome amado
Nos ouvidos de quem sonha acordado
E esse suspiro é de assombração
Suspira o sol na madrugada
Anunciando a sua chegada
Por mais que a noite se mostre manhosa
E suspire, estilosa, a madrugada
Suspiro não é palavra
Dito no ouvido deixa tonta
Porque o suspiro é o que fala
Quando a palavra não dá conta

Doenças retro-aditivadas

Se eu soubesse de que lado é o começo dessa linha reta
Quando ele me atravessa e me deixa ao meio
Talvez não ficasse tão á ver navios
Talvez partisse na direção correta
Mas o fato é que nunca sei quando começa ou termina
Vejo caminho, pra um lado ou para o outro
Vejo gente andando, para todo lado
Como se meu destino fosse ficar na esquina
Não há lamento ou arrependimento, porém
Quando a gente se assume tudo parece personalidade
E isso vira desculpa para qualquer rastro de culpa
Até quando não sei se faz mal ou se faz bem
Quem não se localiza no espaço também pode se perder no tempo
Te perdi nessa metáfora louca
Quis que não me fizesse como as outras e de tão boba
Eu mesma me fiz, te amei fora do momento
Não por gostar de solidão mas por entender o fato
Acho que não quero companhia nessa mania
De uma quase eterna observação de vida
A síndrome do olhar para o porta-retrato

Quando a semente germina

Um pedaço de queijo rima com beijo
Rima com beijo
Um acorde de vilão rima com paixão
Rima com paixão
Uma fita com um laço rima com abraço
Rima com abraço
Mas quando um grande encontro acontece
Por acaso, descaso ou colisão
É que uma poesia se tece...
Mais que por cadeia ou reação
Como se os olhos, que sempre olham o mundo,
Também pudessem prender a respiração e mergulhar
Para ver mais fundo
Como se os ouvidos se transformacem em olhos
Fiando imagens de sons, automaticamente
Fazer tradução literal do eco oriundo
Entender o que não é tão fácil de perceber
Construindo um novo sentido
Colorir fora do traçado
É mais bonito do que errado

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Brilhantina e saia de bolinha

Menininha
Me dá corda e me da linha
Fingi que entra na minha
Sorri como se não fosse nada
Mulher gata
Me pegou quase de fato
Charmosa até o salto do sapato
Que me pisa, deita e rola
Porque será que não me namora?
Não me dá bola?
Menininho
Pareço um colegial
Bancando a pinta de legal
Tentando atrair uma olhada
Um gato
Que fica bem no retrato
Que muita mina quer dá trato
Mas você só me enrola
Porque será que não te esqueço?
Não te mereço?
Não é bem assim...
É que Drummond cismou de dizer
Por puro sadismo, em tom de prazer
Algo como : A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro
Chego a ficar tonto
Custo a acreditar
Que eu tinha mesmo que te encontrar
Só pra saber
Que não posso te ter

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Cidadã

Quem tem paciência de ouvir chorar
Aquele que sofre por qualquer coisa
Que sofre por coisa atoa
Que sofre só por sofrimento?
Quem vai dar o ombro e um conselho bom
Para aquele que é carente de corpo inteiro
Que tá sempre por um fio
Que fala sem alterar o tom?
Quem pode entender o problema de não haver problemas
Daquele que persegue os dilemas
Que, conclui-se, não tem solução
Que só se mostram pra dizer que ali estão?
Quem pode querer mesmo saber toda a verdade
Sem se tornar um desses
Que não se compreendem
Que não são comprrendidos?
Abraça eu, abraça eu, abraça eu...
sem conjugação, sem conspiração, sem solução, sem colisão
Que talvez um desses seja eu
Sem razão pra ser, sem saber porque, sem jeito,sem não
Pura ilusão
de ser bem mais e de dar explicação

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Mandinga de amor que precisa morrer

Se eu olhar nos teus olhos sei que desisto
Mas enquanto escuto só suas palavras, eu insisto
Pulei sete ondas, comi sete uvas, sete cores para o reveillon
Me agarrei na promessa de que mais que de pressa
Nesse ano novo não entraria no jogo
Quase tenho a certeza de que não vou cumprir
Por isso fiz oferenda também para Iêmanjá
Enchi ela de prendas e flores no mar
E sei que só te esqueço se ela mandar outro pra eu amar
Amor por amor dá amor mesmo... e daí?!
No fundo, ninguém merece uma coisa assim
Começo a pensar que foi tolice tentar te afastar
Quando, na verdade, devia ter te pedido pra mim
Se seu coração não fosse lugar de outra moça
Isso já tinha se resolvido
Se eu não sou melhor que ninguém e ele já sabe que me tem
Deve amar á ela, por isso não fica comigo
Devo procurar, então, o que me convém
Com o pouco de dignidade que ainda me tem
Espero que não venha com esse papo de sermos amigos

Sentindo falta do Amarante

Mentira...
Feito um Tufão sem ira
A gente só se mira
E se atira sem saber
Por falta de lugar
Por falta da espera
De alguém e de um pouco de ar
Sei lá
Pra que tanta primavera
Quem pode gostar
Tanto de flores
Colhendo, sem plantar
Pra que tanta realidade
Quem liga pra verdade
Se tem eu de cá, você de lá
Prontos pra inventar
Criar situação
A gente não aguenta não
Essa falta de graça
Falta trilha sonora
Bem no meio da praça
Onde a multidão vai passar
Não diz palavra alguma
Coisa nenhuma
Que possa desmoronar
Ou se perder, ou se quebrar
Me dá, somente esse espuma
Que logo se acumula
Nas fábulas....
E no canto da tua boca
Quando se empenha louca
Em fantasiar
Me leva pras alturas
Longe do céu das demais criaturas
Me mata com a doçura
Do que existe sem se concretizar
Pra que provar, pra que?!
Perder tempo em se auto afirmar
Basta ser o que é e será
Pode mudar quando a luz apagar
Voltar a acender
Numa nova razão pra arder
Cada vez mais combustível pra queimar

sábado, 5 de janeiro de 2008

Entorpecida de verão

Vem pisando firme, num passo de dança
Pelas ruas ensolaradas do Brasil, tão tropical
Tomada pelo batuque dos índios, negros e brancos acoplados
Passa pelas calçadas, passa por gente e semáforos
É uma onda sensual de calor, é o verão que faz sangue ferver
E ando muito louca para lhe dizer que nossa amizade é uma mentira
Que ou você me pega ou você me atira no meio desse carnaval
Carnaval de rua, carne crua, carne nua
Se pôde me classificar como uma buceta difícil
Nunca realmente constatou as amabilidades de meu bem querer
Tenho pernas também, tenho braços também, tenho cabeça
E quando ela pensa melhor, percebe que quer muito te esquecer
Já esqueceu um pouco, bem mais do que pensou que poderia
Necessita outra fantasia para desfilar ao som da bateria
No compasso de outro coração, apertando o passo, encaixando o abraço
Preenchendo o espaço onde não quis caber
Talvez não lhe caiba ser esse tudo que me agrada
Ainda bem
E ando muito louca para lhe dizer que nossa amizade é uma mentira
Mas que na verdade, só ela é o que existe entre nós
Uma linha tão imaginária quanto o Equador
Se a gente se distrai, ela fecha a porta e sai
E o que nunca esteve aqui não volta mais...
Tudo bem
Entorpecida de verão, eu vou até a próxima estação
Deixa esse trem me levar