domingo, 23 de novembro de 2008

Me perdi dentro da noite escura
Que loucura!
Se puder, venha me procurar
Bebi do veneno e da cura
Tamanha secura!
Na verdade, nunca quis me salvar
É tanta estrada atrás de mim
E tanta em minha frente
Longe do começo, eu não vejo fim
Talvez tenha muito o que fazer
Mas já nem pergunto o porque
Nem todas perguntas se pode responder
Me perdi num dia de sol
Em tramas de lençol!
Alguns sonhos pra me acompanhar
Engoli isca e anzol
Desenvolvi ingua e terçol!
Só a febre pra me esquentar
Eles eram homens hora sim e hora não
Nunca saberei ao certo
Até que ponto era o meu coração

domingo, 2 de novembro de 2008

Novas conclusões


O amor é um jogo bobo de cartas marcadas
Manchadas e amassadas que não valem nada
Como um conto de fadas com começo, meio e fim
E tudo mais é assim...
Baby não vá chorar
Deixe-o ir para que outros possam ficar
Não existe solidão se seu coração não a quer
Sempre existirá um homem ou uma mulher
Que está em busca de carinho, quase sozinho
Então pra que desesperar...
Baby não vá forçar
Deixe-o ir para que outros possam ficar
No fundo, todos são tão parecidos
Fica muito difícil de identificar
Sendo assim pode amar á todos e todos poderão lhe amar
Baby vá ser feliz
Deixe-o e faça tudo o que sempre quis

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

ANIMALESCO

Me dê um homem como um pedaço de queijo
Me dê um beijo, cada qual com seu sabor
Que quando quero, vou ao mercado
Que quando quero, coloco na boca
Chupo, lambo, mastigo
Engulo ou cuspo
Cuspo ou engulo
Sem pensar e sem respirar
Vou digerindo essa de amor até os ossos
Ruminando essa idéia, vida afora
Absorvendo até onde consigo
Jogando o que não posso fora
Mas não posso deixar de comer
Dia a dia, hora em hora
Que quando eu quero olho pro céu
Que de sempre em sempre sinto o sol
E sei que em minha frente há horizonte, discretamente
Desvio o olhar da antecipação
Me divirto com as cores mais naturais

domingo, 26 de outubro de 2008

Há quem diga que os melhores abraços
São dados em pensamento
Mas o que eu quero mesmo é
Estar coberta pelas suas digitais
Pra fazer você saber
Nesse momento, sou tão sua
Depois eu fico e você vai
Pra cidade babilônica bombante
A minha cabeça não aguenta
Nesse momento, a minha dor é só minha
Como recuar depois de trocar
Todas as palavras que já trocamos?
Como disdizer o pouco que já fizemos?
Ou tudo aquilo que já pensamos?
Nesse momento, isso é o que significa ser "nós"
E não existe nenhum nó pra nos segurar
Só mesmo quilômetros entre
Essa estrada pra percorrer
Se for o momento de nos reencontrar
Nada é fàcil

A culpa é minha


Dizem que eu construo o abismo

Depois quero colocar a ponte

Que eu piso, xingo e nego

E depois cubro com o mais puro amor

O fato é que não posso negar

Deixando claro que

Se faço, faço sem perceber

Faça-me o favor de as pedras recolher

Para que possam jogar em outra pessoa

Pois aqui não cabe mais

A abstrata e relativa argumentação

Será ela má ou boa?

Mesmo sem saber porque

Sinto que estou pagando

Horas a fio, noite á dentro

Até o sono me abandona

Na cama que nunca se aquece

Tudo parece se mudar pra longe

Dentro do passado e do futuro

Menos essa solidão

Por isso, peço então...

Não me tirem a culpa

Que essa culpa seja minha

Deixem essa culpa ficar

Pra que eu tenha onde me apoiar

Pra que tenha como justificar

Não deem a culpa pra mais ninguém

Que ela é o que sobrou por aqui

Além dela, só eu

Precisando de companhia

Querendo não causar mais confusão

Sem garantir que é possível ou não

Você que é sempre assim

Tão errado, tão canalha

Parece saber o que fazer pra eu me mostrar

Ás vezes, acho que pode mesmo me enxergar

Você faz e você diz

Por um triz, acho que vou me salvar

Mas nunca você entra na minha casa

Deixa claro que isso não pode se tornar sua tarefa

Fico sem saber

Pelo menos diz que a culpa é minha

Assim me dá o poder e o prazer

De sentir as rédias nas minhas mãos

Homem! Você é bom nisso.

Pena que não quer ficar

Pra me tirar a culpa e ficar em seu lugar.

Tentando ficar por cima


É quase sempre como um jogo de gato e rato. Difícil de saber quem caça quem. O chato é que isso que deveria me fazer sorrir, vira um motivo pra eu não me divertir. Meu Deus! O senhor sabe como eu não gosto de ser ignorada. Então se ele me xingasse ou fosse bruto comigo, saberia o quanto mexo com a sua cabeça e confundo seus sentidos. O caso é que ele se cala, faz disso uma guerra fria... sem graça. Fico a flor da pele, com os miolos em curto circuito. Será que ele está tentando ficar por cima? Onde será que ele realmente está? Alguns dizem : Você é paranóica! Vá viver, pare de pensar. Mas o fato é que é dessa parte que mais gosto, onde o amor é como um jogo que quando você aposta, aposta tudo. E eu nem ligaria de trocar de posição de vez enquando, porque gosto de variar. Tornar isso mais dinâmico. Por isso é que sempre me questiono e tento estar um passo a frente, ora até forçando a barra. Quem poderia atirar a primeira pedra? Se é assim que acho que gosto dele ou não. Será que ele está tentando ficar por cima? Será que ele está tentando não ficar? Onde será que ele está?

The Old News


Não chore agora, pequena garota. O seu homem perfeito já vem. Aquele que merece encontrar. Mas, talvez, não mereça encontrar a ninguém. Só andar e andar e andar por aí. Procurando alguém pra se divertir. A eterna aventura solitária do ser. Procurando alguém para pegar na mão. Não chore agora, pequena garota. Chorar borra a maquiagem e bloqueia a visão, temporariamente. Você não pode transitar no salão assim. Ninguém vai te escolher pra passar supostos momentos bons. Ninguém vai te tocar, por medo de sujar as mãos. Ninguém é suficientemente forte pra te carregar e nem bom, pra querer assim. E quando vc percebe, a dança está repleta de segunda intenções... nada é tão bonito. Vontade de correr e correr e correr. Numa velocidade que seus pés jamais irão alcançar. Mas não chora, pequena garota. Que a dó dos outros não é adorno que combine com você.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Sonhos são sempre sonhos
Mas quero te realizar
Fazer desse futuro árido
O oásis mais bonito do mundo
Da água que não tenho, te dar de beber
É o amor, pelo que se pode perceber

Sonhos são sempre sonhos
Mas o que não é sonho, o que será então?
Planta dos pés e palma das mãos
Muito o que fazer
Por onde começar o que não tem fim?
Será que precisa mesmo ser assim?

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Se eu pudesse inventar um amor pra viver
Ele seria você
Se eu pudesse escolher outro alguém pra querer
Ele seria você
Se eu pudesse levar algo pra esse meu lugar
Isso seria você
Se eu pudesse desejar alguma coisa pra ter
Essa seria você
Se eu pudesse prever a saudade que ainda vou sentir
Não pensaria em você
Juro que iria mentir!
Quando eu puder tocar o silêncio
E nada mais me assombrar
Passarei a noite acordada e sem medo
Deitada ao lado, no braço travesseiro
Tudo será entendido, nada dito
Até que o sentido não faça mais que sentido
E o dia não amanhece
É uma prece e o que acontece
Estrelas brilham tão longe
Na palma esquerda de minha mão
Respiro o perfume do mar
Que vagueia nesse horizonte
Meu desejo é só o desejo desse calor
O fogo, o clarão
Desse corpo por inteiro, braço-travesseiro
Expulsando do meu corpo
O breu e a solidão

Ganhe o seu dia

Ao acordar, escute uma canção
Cante um pouco
Dance um pouco
Movimente-se, sinta-se
Acorde.
Deseje um bom dia
Primeiro, mentalmente
Depois pra primeira pessoa que você encontrar
De preferência, acompanhado de um sorriso.
Não pense nas coisas que você precisa fazer
Pense nas que você gostaria
Pense na pessoa que você ama
Dê uma olhada pela janela
Olha a rua, olha o céu.
Tome seu café da manhã,
Coma tudo.
Escolha bem a sua roupa
Escolha bem o seu sapato
Arrume bem o seu cabelo
e, quando considerar-se pronto,
dê uma olhadinha na agenda
só pra saber por onde começar...
No fundo, seu roteiro não precisa ser assim
nem assado
Contanto que comece com alegria
Deseje ser feliz
E, com isso, ganhe o seu dia.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Quando eu chorei
Eu não queria
Agora tenho que te dizer
Que tudo aquilo desapareceu
Como previ que aconteceria
Tudo está queimando sob o sol
Se enchendo de luz
Desintegrando
Tudo na vida está á um ponto
De, num repente, começar
Mesmo quando acabando
Não posso me lamentar
E talvez, numa outra vez,
Será aqui que vamos nos encontrar
Não vai ser sempre assim

sábado, 6 de setembro de 2008

Lentamente

Lentamente, vem chegando
Dentro desse fim de tarde
Uma lucidez de braços dados com a escuridão
Sombria e serena, ela entra em cena
Sussurra em meus ouvidos algo sobre solidão
Isso arranca-me um sorriso
Tão despeitado e imprevisto
Um sorriso sem graça
De quem só não quer dar o braço á torcer
Mas que, essa noite inteira, vai rolar sobre o chão
Ouço a canção que me diz
Que quase ninguém nesse mundo é feliz
Com tanto amor no coração
Porque pesa e dá falta de ar
Essa é a vida que escolhi para mim, meio que sem querer
Sentir intensamente a dor e o prazer
Deixar de tudo rolar
Desfrutar da inegável densidade do ser
Gostando e gozando até desgostar
Passar a língua no doce e no amargo
Parir uma lua minguando
Enquanto navega, sem lema e sem leme
Viver para além de temer
Usar as teias da tristeza para se aquecer
Ao invés de simplesmente sofrer

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Estado de espírito

Porque me recriminar, me olhando assim
Só por me comportar como se essa agonia
Fosse tudo o que restasse para mim?
Você não sabe de nada, você não sabe de nada
E quando te vejo caminhar, como se as ruas fossem mais macias
É como se brilhasse outro sol num mesmo dia
Enchendo essas mesmas ruas da mais tola alegria
E eu não sei de mais nada, não sei de mais nada
Mas saber não é nada mais do que abrir mão
Abandonando muitas e interessantes possibilidades
Então, que o nosso lugar seja a felicidade
E que tudo caiba em nosso coração
Se a certeza insistir, fecharemos a porta
Não vamos entrar nessa de escolher

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Cantiga

Bom dia, meu amor!
Espero com ardor que não me odeie ainda
Eu acordei assim
Tão inspirado enfim mas sem encontrar rima
Queria te levar
Sair pra passear em busca de carinho
Queria te abraçar
Só para descontar ter dormido sozinho
Sonhei a noite inteira
Como por brincadeira com um encontro casual
Certa felicidade
Estar em sua cidade, tirar fotos e lual
Mas acabado o sonho
Já não suponho nada ao certo para te procurar
Rascunho essa cantiga
E cada palavra abriga um desejo de te olhar

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Meu caso

Toda paixão te chega num instante
Violenta e pulsante, como um furacão
Mesmo que tenha a certeza do mundo acabar ali
Você dorme e acorda percebendo que não
Mas aquela certeza de morte não te abandona
E você fica a esperar
Pelo veneno ou remédio pra aquilo acabar

Existe o meu caso no acaso dessa coisa de paixão
Nisso, também perco muitas noites de sono
Porque quando sinto palpitar meu coração
Essa minha paixão, simplesmente abandono
Mas nem por isso deixo de entristecer ou chorar
Tirando o que quero de perto
Nunca vou descobrir se iria dar certo

Quero mesmo me curar
Parar de construir torres e montros
Esperando alguém pra salvar
Descobrir que não é real o perigo dos desencontros
Estar assim, estar aqui e estar agora
Só e feliz
Não desejando e esperando o amor que quis

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O Que da questão

Quero que você seja, mesmo que seja brincadeira
O amor que ainda não tive
Eu que tanto me detive
Só desejo mar para encher a vista
Vento para amortecer o corpo
Na deliciosa derrocada derradeira

Quando vejo estes anjos, se movendo ao redor
Evito a tentação de rezar
Eu que quero me deixar devorar
Não posso evitar a escolha da boca
O olhar que vai até a fissura dos dentes
A mania de já quase saber a história de cor

Quem dera mesmo ser um peixe e ser da mais boa bisca
Daquela que queira caçar
Com artimanhas de sorte e de azar
Uma pequena grande obssessão
Merecedora da arte de sua sedução
Cedendo a tentação, mordendo o anzol
Pela fome e vontade de comer que desperta com a sua isca

domingo, 6 de julho de 2008

O meu muro de Berlim

Não me crucifique com as suas críticas
E não me critique por suas cruzes
Realmente acho que mentir pode ser saída
Uso mesmo a mentira e espero que ela me use
Para que a verdade não abuse de seu poder
De ser letal por só ser
Gente é que, ás vezes, não é

Seja humano, seja ser sem um plano
Quando eu subir as escadas pra te encontrar
E ao me dizeres que não vai sair
Vendo uma lágrima brotar
Desvie o olhar
Não olhe ela cair
Espera eu te falar, disponha-se a acreditar
que não se trata de amor e, sim,
de alergia de flor

Quem vai me proteger, diante de você?
Quem vai me desviar, da mira do seu olhar?
Somente o escudo de minhas palavras
Que refletem e onde sua evasiva bate e volta
Como ondas que quebram e retornam pro meio do mar
Sem sofrer e sem chorar
Magicamente, porém, nem sempre
Minha palavra
Só mente

domingo, 25 de maio de 2008

De um lugar

Escreverei cartas e mais cartas pra enviar
E como remetente, vou me colocar
Arrumo um pseudômino pra assinar
Que estou morando na rua So
Que fica no bairro Li
Que faz parte da cidade Dão
Isso tudo pode ser verdade sim
A verdade também pode não ser tão verdade assim
Use como lhe der satisfação
Arrumarei a casa e me arrumarei pra esperar
E com essa esperança, vou me incomodar
Faço uma prece que é pro tempo passar
Bem no meio da rua So
A casa destaque do bairro Li
Causando surpresa nessa cidade Dão
Não há como evitar, enfim
Estará em cada flor de cada jardim
Agonia é coisa que chama atenção
Será que vem me visitar?
Será que sabe o caminho?
Nessa rua do bairro dessa grande cidade
As pessoas mais se perdem do que se encontram
Mas pra mim, basta saber
Da sua intenção de me buscar

segunda-feira, 14 de abril de 2008

"O velho texto batido dos amantes mal amados"

Ao sair, feche a porta por favor
Não diga que volta mais tarde
Nem tente chamar-me de amor

Vá e esqueça o caminho
Melhor não fazermos alarde
Que se eu fico sozinha, você não parte sozinho

Quando eu voltar a acreditar em alguém
Pode ser que o coloque aqui
Pode ser que seja quem melhor me convém

Mas se acaso eu errar como agora
Serei mais forte e feliz
Será mais fácil botá-lo pra fora

Não pense que agradecerei essa aprendizagem
Que carinho foi uma das coisas que lhe dei
Alguma recompensa me daria, alguma mensagem

Que bom seria não ter aprendido nada
Só o desfrute e o prazer
De amar e de ser amada.

Sobre dizer adeus

Dizer adeus é abdicar dos olhos seus
Com emoção, abraçar a solidão
Apagar a luz e desligar o som
Deitar e esperar o furacão

Dizer adeus é dar as costas e esquecer
Ignorar todas perguntas e respostas
Sair e tirar tudo de dentro de si
Deixar o que te fere e o que te gostas

Dizer adeus é não chorar
É preferir não sentir mais nada
É se encher de nada
É não saber nadar e pular

Dizer adeus é ter preguiça
Enquanto se força a andar sem saber
Sonhar com a cobiça
De outras palavras dizer

Dizer adeus é acompanhar á deus
Querer ser menos homem...
Lutar contra toda essa impossibilidade
Enquanto tristeza, dor e desejo lhe comem

sexta-feira, 28 de março de 2008

Amar-te

Amar-te é amar por amar
Amar só e tão só amar
Amar sem saber e saber amar
Sem nada saber ou ter do amor
Sem amor nada ter ou saber
Saber nada ter do amor ou sem
É uma confusão!
Amar-te é quase não amar
Porém, depois do esforço,
Descobrir-se amando
Mas não entendendo porque
Já que a unica certeza é que
Não me amas
Amar-te é acreditar
Nas mentiras com as quais
Não me enganas
Um ato medíocre e solitário
Amar-te
Quando deveria o contrário

Prece de estrela

No dia em que sua estrela derreter
Manchando o azul alto desse céu
Talvez entenda o que te disse
E que nem quero mais que possa entender
Só desejo poder pintar
Outro cenário para morar
Que não quero vê-lo chorar
Chorando por um céu que não há
Sou estrela e minha morte é anunciada
Mas ninguém assiste a hora exata
Não posso ao menos dizer adeus
Por isso torço...
Que se ela morra, seja na sua frente
Assim menos solitária e decadente
Ela possa suspirar e mirar nos olhos teus

Vontade de cantar

Medo do escuro carece
De alguém pra pegar na mão
Que se aquece nesse fogo
Me afoga, numa onda de ilusão
Essa vem é na beira da saia
Da moça que ondula pra dançar
E essa dança nem desconfia
Qual a nota da canção, embala

Quem é que tem o que merece
E quem se esquece da pressa da prece
Nada que se tenha agrada mais
Do que o que acaba de chegar
Então se percebe que o movimento é preciso
E as vezes se vai, pra melhor ficar
Aqui, só por esta estação
Mais que inverno ou verão
Queria tanto ouvir, me fala

quinta-feira, 27 de março de 2008

Maré

Meu coração e o mar
Tão fundo que tem estrelas por lá
Ninguém te ensina a passar
Sem se deixar levar pelas ondas
Que te jogam e te agarram
Mas não pedem desculpas
Nem respaldo pro vento
Dançando revolto na tempestade
Quer fazer barulho, espanta a cidade
Depois se acalma e deixa
Vem o sol
E o povo entra para nadar

O tempo que me tem

Amanhã tenho uma vida toda para resolver
Por agora, um cigarro solitário
Uma pausa no horário e ele continua a correr
Queria que todas as resoluções do mundo
Coubessem dentro de um segundo
Só para sobrar tempo pro verão
Mas tempo é coisa que não sobra não...
De repente, tudo se prolonga sempre e um tanto mais
E vem aquela de contar até vinte
Sua consciência convoca o minuto seguinte
Esse se faz tão necessário quanto uma reforma na "Constituinte"
Tudo dentro do prazo que te tem
O que convém no atraso?!
Esticar um momento e encurtar outro
Que nem se sabe que virá, por isso não faz caso
Se viver mais pode não ser questão de tempo
Só de ritmo do passo

domingo, 2 de março de 2008

De João para Maria

Que lua que nada!
Romântico é esse seu tamanco, chegando com seu pé dentro
Quando desce a rua e vem pra minha casa
Esse caminhar que te faz balançar as cadeiras e sorri
Ai meu deus!
O mundo fica muito mais bonito aqui...
Nem sei ao certo o que pensar
Só sei que te quero por perto menina
Posso te ensinar a dançar, se você colar o seu corpo no meu
E se a música não tocar, a gente nem vai perceber
Estaremos no compasso de nossos corações
Enquanto outros nos relatam o pesar de suas paixões
Que essa nossa nos faça sair voando, de tão leve
Feito balão sobre o céu da cidade
Num eterno fim de tarde de sol
Vamos mostrar pra todo o mundo que a gente sabe
Correr de mãos dadas que é pra solidão não pegar
Como as crianças sabem, sem evitar de sofrer
Sem evitar de chorar...
Mesmo assim sendo felizes e fantaziados de amor

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Quase crônico

Sonhando acordado com uma corrida de sapatos altos
Correndo no asfalto, entre os carros
A chuva molha o meu cabelo e elas não me olham
A gente disputa a calçada mas nossos braços não se encostam
Quando chegar em casa, tomar um banho
Pentear, secar perfumar pelos que não me esperam
Ver T.V. enquanto como, não te ter enquanto amo
Mais uma vez tudo está cinza
Acendo um cigarro e a fumaça acena compactuando
As ruas são como quase rios
As janelas parecem com o vidro do aquário
E como peixes, pessoas vão nadando
Um verbo pra descrever quando não se faz nada do que deveria
Ouço a canção de ninar do vento
Mas a insõnia está na cabeceira da cama
Sorrindo e dizendo que não é o momento
Momento esperado pelo corpo cansado
Sorrio de volta, sem temer ou injuriar
Tem leite na geladeira pra esquentar
Leite quente conforta, uma quase calma
Efeito placebo pra alma
Que bom poder se enganar

Argumentação Alfabética

Veja como é a vida, meu bem....
Um F ás vezes fode, mas se ele fosse um P
De repente, pode
Um F até pode morrer de tanto escrever fome
E se ele se transformasse num C
Descreveria á quem come
Acho que nem é de bom tom dirigir-lhe essa fala
Que nessa de ser C, ele pra sempre se cala
Sendo que na onda do P, ele vai dar é "pala"!
Pois sente que F é o que sabe ser e fazer
Muito além do P do prório prazer
E do C, que nem sabe o que agora dizer...
Pessoas e letras tem suas limitações
Seja vivendo, amando ou escrevendo canções
Disso não se pode fugir e nem ao menos negar
Tão logo eu descobri, vim, meu amor, te contar!

domingo, 24 de fevereiro de 2008

À magnífica rosa

À magnifica rosa que me trazes entre os dentes
Minha mais profunda ternura e mel
Que o perfume da rosa não compactua
Nem tão pouco renega o hálito da boca que a carrega
Que a rosa, mesmo vermelha, entende de blues
Para ela, meu respeito despudorado e meu desejo
Sobre a maciez e beleza de suas pétalas encarnadas
Não sangrentas, nem lastimosas
Apenas a beleza mais charmosa, sem tristeza de ser
Rosas não choram, nem diante da própria morte
Por um amor que não é seu...
Não amar não lhe deu sorte
Nessa noite que me vem, assassino
Depois de violentar jardins
Eu sinto muito e sinto agora que não é chegada a nossa hora
Em nome do sacrifício da rosa
Mais uma dança, mais uma transa
E isso não parece, numa primeira olhada, uma coisa demais

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Quando se resolve correr atrás da bola

João chuta a bola e corre atrás dela
Desde o primeiro tempo e do meio campo
Ele quer o gol
Pé pra chutar, perna pra correr
Fé para sonhar e respiração pra conseguir
Ele quer o gol
Amigos para marcar os outros
Amigos que vão contigo ou que ficam pra ele seguir
Ele quer o gol
Qualquer coisa, ele fica pra marcar...
Que mesmo não sendo por ele mesmo
Ele quer o gol
Na arquibancada vibram pessoas e pompons
As meninas gritam em variados tons
Ele quer o gol
Mas não importa muito se ele sai ou não
Se querer faz da vida um show
Quando se resolve correr atrás da bola
Suar, superar, pensar e fazer
Ás vezes se cai e se esfola
Mas a alma brilha
Sob fashes e olhares
E dá vontade de gritar: " Que maravilha!"
Se maravilhar e maravilhar milhares

Acordando

Havia sol, luz, sombra e cor mas eu não via
Assim como todo aquele perfume da estação em flores que não cheirava
Temperatura e textura das coisas que não tocava
As vozes que me chamavam e eu não escutava
O amor que eu sentia me deu sentidos artificiais
Pra que o mundo não me tivesse e me desse pra você
Mas o tempo não é nosso por tempo demais
Mesmo em casos de impérios como o de Roma
E num belo dia, como todo dia que é dia
Acordei do estado permanete de coma
Tão pronta pra sair pelo mundo
Te deixar e impedir que isso que não soube nomear ou medir
De repente e novamente me coma
Saio cantando que ainda é tarde ou cedo pra chorar
Disposta a me apaixonar...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Nice to meet the road

Mete o pé no acelerador
Leva o motor até o limite
Já esqueceu de onde veio
Não sabe ao certo onde vai
Mas o volante não deixa que duvide
Vai, vai e vai
Veloz como um raio
Feroz como um trovão
Leva a estrada pro meio do nada e sai
Será que percebeu
Que o seu caminho é minha veia
E que minha veia sou eu?
Na verdade, muito prazer
Venha apertar a mão de quem ganhou e perdeu
De quem se corrompeu
Com sua partida e chegada
De quem se deixou habitar
E quis ser apenas um bom lugar
Sem questionar ou julgar a sua jornada
Toca o blues da noite
Que o vento é o açoite dos cabelos
Não se houve nada, nada
De murmurios e apelos
Que aqui ninguém quer se perdoar
Aqui não se tem contas pra pagar

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sobre poemas de amor

O lado bom dos poemas de amor
São coisas como a beleza de uma flor
Você olha e quase não acredita
Ela é bonita demais
E os olhos do ser amado
São como dois lagos, ocenos, rios, manaciais
Largos, estreitos, profundos e rasos
Sempre cheios de ternura e paz
Porque a vida fica bem melhor
A gente sempre se sai bem
Como se já soubesse de cor
Nem se desconfia do momento que se aproxima
Á um ponto de rasgar toda a fantasia
Beber e comer, degustar tudo com igual heresia
A gente ingeri do mel ao féu
Vamos do inferno ao céu
Com a mesma urgência e rapidez
Quando enfim parece chegada a cura
A cabeça vai á loucura
Querendo amar outra vez
O lado bom dos poemas de amor
É que toda rima parece mais nobre
Pouco importa se rima com dor
Nem se espanta com o ardor que a encobre
Mas quem não ama parece sempre tão pobre
Ignorante, porém mais feliz
E amor se torna cada vez mais necessidade
Tanto que nem se lembra porque tanto se quis
Caminhar no sombrio de um triz
Ainda assim prosseguir
Ser justo, sincero e verdadeiro
Até quando ou se mentir
O lado bom dos poemas de amor
É a ampla, larga e quase infinita licença poética
Cada verso pulsa feito veia e interpreta como um ator
Com a força de tudo o que existe
Muito além de alegre ou triste
Ultrapassa a estética e desafia a ética
São tantas canções e tantas estações
Verdadeiras multidões
Que levam em suas mãos, como estandarte
Os próprios corações
Acelerando sem saber a direção

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Oração noturna de menina moça

Sonho feito de nuvem
Que o vento sopra pra lá
Dê a volta pelo mundo
Volte logo para cá
Senta na minha cabeça
Segreda ao meu coração
Que diante da tormenta do mundo
Nada há de confuso no meu turbilhão
Diz que é possível ficar bem
Sorrir e comer pipoca
Sem morrer ou pagar vintém
Diz que existe alguém
Lá no meio do Pacífico Sul
Olhando pra noite
Abstraindo do azul
Uma suplica entregue pra lua
Feita com muito ardor
Alguém que se sente estrela
E faz pro céu pedido de amor
Que anda sozinho
Que encontra e abraça todos pelo caminho

Rima predestinada

Hoje a noite não cai
Enquanto você não der o último trago
Batendo a porta sem olhar pro estrago
Que fica em tudo que fica quando você sai
Mas amanhã o sol vai
Abrir o dia sem pedir-nos licença
Fingir oferecer algum tipo de recompensa
Brilhar por brilhar, daqui até o Paraguai
E nada que cabe num ai
Será dito ou escrito por mero acaso
Porque em coincidência não existe atraso
Isso nos atrai, nos distrai
Pra não se sentir doer tanto
Á ponto de causar geral espanto
Ou renegar a nossa carne que contrai
De repente nos trai
Mesmo assim te dei carnaval
Com direito á confeti de folha de jornal
Realidade rasgada e me diz: "Bye, bye!"
Tudo em um minuto
Cai, sai, vai
Paraguai, ai, distrai
Contrai, trai
Bye, bye
Vou fazendo a retrospectiva
Noturna e nociva
Nem sei mais se amanhece
Nessa ordem em que acontece
Tudo cai
Sai e vai para o Paraguai
Ai...
Se meu coração contrai
Se entrega e me trai
Enquanto me diz: "Bye, bye!"

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Festim surpresa

Quando uma coisa tem tudo pra dar errado
De repente acontece certo
Respirar se torna formidável e mágico
Assim como quando dá tudo errado
Te encontro por acaso
Parece muito menos trágico
É que a vida deixa a gente pensar
Que o que é surpreendente não é tão bom
Mas é de propósito, é pra surpreender
É pra mudar de tom
E hoje eu queria mudar de tom falando assim
Bem no pé do seu ouvido
Dizer que duvido que não tenha nada pra mim
Que não há porque ficar sempre escondido
Hoje eu seria uma boa mulher pra você querer
Mudaria a minha postura e a pouca compostura
Só pelo nosso simples prazer
Nessa noite vou lamentar muita coisa que dexei passar
No entanto, sem chorar
Ficarei rindo e ruminando na escuridão
Mesmo com um fio de tristeza
Enlaçando o coração
Isso sim pode até te surpreender
Saber ou sentir o quanto não posso te odiar
Que quando amargosa, lanço palavras que contam essa história
Ainda assim, soarão com ternura á quem escutar
Espero outro, quero outro, procuro outro
Por isso, me surpreendo
Quando no quarto escuro me encontro
Com aquele que não tenho e não entendo

Reencontro

Vou ver o mar
Deixar o mar me ver
Ver de verde e mar
Água e sal pra molhar
A saia que me cerca
Que me cuida e me enfeita
Roda enquanto me fazem dançar
Andar com o pé no mar
Onda bate pra alma banhar
Vento no cabelo, na pele
Um zelo de luz do sol
Areia cama e lençol
Horizontes de olhar, barco e anzol
Nesse balanço o conforto do abraço
Abraço de mar, salgado feito lágrima
Que sufoca e afoga
Barcos homens, barcos sentimentos
Afagos de Iêmanjá
Mar que me leva e me lava
Rota de férias e de fuga
Onde o caminho começa e acaba

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Tarde cinza, tédio em brasa, café demais

Os minutos estão sendo contados pelos pingos da chuva
Tudo está mais cinza do que nunca
Parece filme antigo, retrato em preto e branco
E eu bancando a mulher em crise...
Mas, na verdade, eu sei que a verdade é só essa verdade
Que não quero deixar você saber
Juro e acabo fazendo mesmo sem perceber
Quando ela vem me xingar, vem com tudo
Até o que não poderia vir
Me agride com palavras, tons e olhares
O que mata é como ela faz isso sem mentir
Fico nua, diante de mais essa verdade
Me desespero pela impossibilidade de fugir
Porque lá fora... a chuva rola hora afora
E se ela me acertar, vai lavar a alma e da coragem me despir
Então fico dando passos que não vão me levar a nenhum lugar
Faço versos a fio para homens e mulheres que nunca vão me amar
Falo e faço as bobagens para não lhe contradizer
Nem tenho a certeza de que isso é razão pra sofrer
Desde de quando sofrer precisa de razão?
É...
Pensamento as vezes vem como bala de canhão

domingo, 27 de janeiro de 2008

Até que enfim o fim de caso

Ouça o que eu digo
Escreva um livro
Dizendo como você me conhece
Pra ver como todo mundo se reconhece
Mas eu não...
Agora só peço que você não diga
Que eu não gosto da maneira como explica
Meu prazer e minha solidão
Deixa que eu me cuido...
Isso é o que você não suporta
Nunca chorei antes de você bater a porta
E não vou fazer isso agora
Que realmente quero que vá embora
Não deixe o seu telefone e nem anote o meu
Isso seria só uma grande mancada
Porque nunca entendeu minhas ligações de madrugada
Que eram um jeito simples de não morrer
Sem que pudesse perceber
Vou rir se sua mulher me ligar porque você me atendeu
Só não complica
Não fingi que me quer como amiga
Pelo menos uma vez, façamos indolor
Porque isso não é amor
Mesmo assim, não tem explicação

Proposta

Vou te dar a chance de ser seu, menina
Porque quero que me ensine esse jeito de sorrir
Como se o mundo fosse tudo isso
Como se o melhor estivesse por vir
Mas se não chegasse também
Tudo bem... tudo bem...
Que sua felicidade vem, basta o sol abrir
Vou te dar a chance de ser minha, menina
Porque quero te ensinar o amor
Como se ele fosse a arte
Como se ele não fosse dor
Mas se doesse também
Tudo bem... Tudo bem...
Que mesmo assim, a vida teria muito mais cor
Vou me dar uma chance de novo, menina
Porque tudo o que eu quero mesmo é ser feliz
Como se não tivesse tentado, antes falhado
Como se você tivesse sido a primeira, te quis
Mas se não conseguir também
Tudo bem... tudo bem....
Que você me faz ter vontade de ficar por um triz
E sinto que estou á um passo de me apaixonar
Deus proteja
Assim seja

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Samba canção

Acho que morri na tua vida
Então me diga como foi o funeral
Você chorou e carregou o meu caixão?
Ou só acompanhou de longe o pessoal?
De vez enquando carrego corrente na tua casa
Faço um barulhinho pra anunciar minha presença?
Ou estou mesmo é muito bem enterrada
Estou mais morta do que muita gente pensa?
Isso dá samba porque samba é coisa alegre
Isso dá samba porque samba rola á toa
Mas na verdade queria que pegasse leve
Não desejo isso pra nenhuma pessoa
Deixei de existir pra você, saí sem querer da sua vida
Ainda por cima me pego a doer
Enquanto você nem liga
Faço samba, faço hora, brinco e disfarço o rancor
Enquanto a vida te presenteia com outro amor
Não vou chorar porque chorar não adianta
Lágrima milagrosa é só de santa...
Vou é sambar, beber e cantar
Tentar pegar armas com as quais possa te matar
Juro que só seguro a cuíca na mão
Porque mão não é lugar de coração

Aos que suspiram

Um suspiro... e eu piro
Talvez você entenda
Talvez á você dizer não caiba
Talvez você não saiba suspirar
Como suspira as ondas do mar
Debaixo de um céu cheio de estrelas e luar
Assim como suspira o ar
Do vento que corta ruas paralelas
Nos fins das tardes amarelas
Da cidade mais cinza
Suspira a corda ranzinza de um violão
Quando alguém, por qualquer coisa,
Toca uma canção
Para moças que podem ter flores nas janelas
Suspirosas essas, de tantas promessas onde o amor se eternaliza
Ou suspiram por pena, ao contemplar a morte de outras flores
Plantadas no jardim onde pisa
O silêncio da noite é quebrado
Pelo suspiro do nome amado
Nos ouvidos de quem sonha acordado
E esse suspiro é de assombração
Suspira o sol na madrugada
Anunciando a sua chegada
Por mais que a noite se mostre manhosa
E suspire, estilosa, a madrugada
Suspiro não é palavra
Dito no ouvido deixa tonta
Porque o suspiro é o que fala
Quando a palavra não dá conta

Doenças retro-aditivadas

Se eu soubesse de que lado é o começo dessa linha reta
Quando ele me atravessa e me deixa ao meio
Talvez não ficasse tão á ver navios
Talvez partisse na direção correta
Mas o fato é que nunca sei quando começa ou termina
Vejo caminho, pra um lado ou para o outro
Vejo gente andando, para todo lado
Como se meu destino fosse ficar na esquina
Não há lamento ou arrependimento, porém
Quando a gente se assume tudo parece personalidade
E isso vira desculpa para qualquer rastro de culpa
Até quando não sei se faz mal ou se faz bem
Quem não se localiza no espaço também pode se perder no tempo
Te perdi nessa metáfora louca
Quis que não me fizesse como as outras e de tão boba
Eu mesma me fiz, te amei fora do momento
Não por gostar de solidão mas por entender o fato
Acho que não quero companhia nessa mania
De uma quase eterna observação de vida
A síndrome do olhar para o porta-retrato

Quando a semente germina

Um pedaço de queijo rima com beijo
Rima com beijo
Um acorde de vilão rima com paixão
Rima com paixão
Uma fita com um laço rima com abraço
Rima com abraço
Mas quando um grande encontro acontece
Por acaso, descaso ou colisão
É que uma poesia se tece...
Mais que por cadeia ou reação
Como se os olhos, que sempre olham o mundo,
Também pudessem prender a respiração e mergulhar
Para ver mais fundo
Como se os ouvidos se transformacem em olhos
Fiando imagens de sons, automaticamente
Fazer tradução literal do eco oriundo
Entender o que não é tão fácil de perceber
Construindo um novo sentido
Colorir fora do traçado
É mais bonito do que errado

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Brilhantina e saia de bolinha

Menininha
Me dá corda e me da linha
Fingi que entra na minha
Sorri como se não fosse nada
Mulher gata
Me pegou quase de fato
Charmosa até o salto do sapato
Que me pisa, deita e rola
Porque será que não me namora?
Não me dá bola?
Menininho
Pareço um colegial
Bancando a pinta de legal
Tentando atrair uma olhada
Um gato
Que fica bem no retrato
Que muita mina quer dá trato
Mas você só me enrola
Porque será que não te esqueço?
Não te mereço?
Não é bem assim...
É que Drummond cismou de dizer
Por puro sadismo, em tom de prazer
Algo como : A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro
Chego a ficar tonto
Custo a acreditar
Que eu tinha mesmo que te encontrar
Só pra saber
Que não posso te ter

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Cidadã

Quem tem paciência de ouvir chorar
Aquele que sofre por qualquer coisa
Que sofre por coisa atoa
Que sofre só por sofrimento?
Quem vai dar o ombro e um conselho bom
Para aquele que é carente de corpo inteiro
Que tá sempre por um fio
Que fala sem alterar o tom?
Quem pode entender o problema de não haver problemas
Daquele que persegue os dilemas
Que, conclui-se, não tem solução
Que só se mostram pra dizer que ali estão?
Quem pode querer mesmo saber toda a verdade
Sem se tornar um desses
Que não se compreendem
Que não são comprrendidos?
Abraça eu, abraça eu, abraça eu...
sem conjugação, sem conspiração, sem solução, sem colisão
Que talvez um desses seja eu
Sem razão pra ser, sem saber porque, sem jeito,sem não
Pura ilusão
de ser bem mais e de dar explicação

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Mandinga de amor que precisa morrer

Se eu olhar nos teus olhos sei que desisto
Mas enquanto escuto só suas palavras, eu insisto
Pulei sete ondas, comi sete uvas, sete cores para o reveillon
Me agarrei na promessa de que mais que de pressa
Nesse ano novo não entraria no jogo
Quase tenho a certeza de que não vou cumprir
Por isso fiz oferenda também para Iêmanjá
Enchi ela de prendas e flores no mar
E sei que só te esqueço se ela mandar outro pra eu amar
Amor por amor dá amor mesmo... e daí?!
No fundo, ninguém merece uma coisa assim
Começo a pensar que foi tolice tentar te afastar
Quando, na verdade, devia ter te pedido pra mim
Se seu coração não fosse lugar de outra moça
Isso já tinha se resolvido
Se eu não sou melhor que ninguém e ele já sabe que me tem
Deve amar á ela, por isso não fica comigo
Devo procurar, então, o que me convém
Com o pouco de dignidade que ainda me tem
Espero que não venha com esse papo de sermos amigos

Sentindo falta do Amarante

Mentira...
Feito um Tufão sem ira
A gente só se mira
E se atira sem saber
Por falta de lugar
Por falta da espera
De alguém e de um pouco de ar
Sei lá
Pra que tanta primavera
Quem pode gostar
Tanto de flores
Colhendo, sem plantar
Pra que tanta realidade
Quem liga pra verdade
Se tem eu de cá, você de lá
Prontos pra inventar
Criar situação
A gente não aguenta não
Essa falta de graça
Falta trilha sonora
Bem no meio da praça
Onde a multidão vai passar
Não diz palavra alguma
Coisa nenhuma
Que possa desmoronar
Ou se perder, ou se quebrar
Me dá, somente esse espuma
Que logo se acumula
Nas fábulas....
E no canto da tua boca
Quando se empenha louca
Em fantasiar
Me leva pras alturas
Longe do céu das demais criaturas
Me mata com a doçura
Do que existe sem se concretizar
Pra que provar, pra que?!
Perder tempo em se auto afirmar
Basta ser o que é e será
Pode mudar quando a luz apagar
Voltar a acender
Numa nova razão pra arder
Cada vez mais combustível pra queimar

sábado, 5 de janeiro de 2008

Entorpecida de verão

Vem pisando firme, num passo de dança
Pelas ruas ensolaradas do Brasil, tão tropical
Tomada pelo batuque dos índios, negros e brancos acoplados
Passa pelas calçadas, passa por gente e semáforos
É uma onda sensual de calor, é o verão que faz sangue ferver
E ando muito louca para lhe dizer que nossa amizade é uma mentira
Que ou você me pega ou você me atira no meio desse carnaval
Carnaval de rua, carne crua, carne nua
Se pôde me classificar como uma buceta difícil
Nunca realmente constatou as amabilidades de meu bem querer
Tenho pernas também, tenho braços também, tenho cabeça
E quando ela pensa melhor, percebe que quer muito te esquecer
Já esqueceu um pouco, bem mais do que pensou que poderia
Necessita outra fantasia para desfilar ao som da bateria
No compasso de outro coração, apertando o passo, encaixando o abraço
Preenchendo o espaço onde não quis caber
Talvez não lhe caiba ser esse tudo que me agrada
Ainda bem
E ando muito louca para lhe dizer que nossa amizade é uma mentira
Mas que na verdade, só ela é o que existe entre nós
Uma linha tão imaginária quanto o Equador
Se a gente se distrai, ela fecha a porta e sai
E o que nunca esteve aqui não volta mais...
Tudo bem
Entorpecida de verão, eu vou até a próxima estação
Deixa esse trem me levar

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