quarta-feira, 27 de maio de 2009

De janeiro a janeiro

Será da natureza de mulher se sentir abandonada?
Será que passam a vida procurando quem as abandonará?
Presenciam o fim, antecipando-o apartir dessa conclusão
Ou vivendo-o plenamente em qualquer confusão
Sangram na metáfora tanto quanto na vida real
E será pode ser considerado um destino especial?
Nessa lua, não posso admitir que essa seja a verdade
De um será que será...
Pois mergulho nas trevas da noite para me descobrir
Mas a lua e eu precisamos de um sol pra brilhar
Irradiar a felicidade em suas pequenas faíscas
Só ser, nem otimista e nem pessimista
Acreditar que será bom...
No tom certo pra tocar o tempo inteiro
Doce sem passar do ponto...
Pra comer o tempo todo, de janeiro a janeiro

segunda-feira, 25 de maio de 2009

About song

Deixe-me começar de novo
Para que esse caso tenha um novo fim
Não estou feliz
Quase por um triz, basta olhar pra mim
Vê se deixa desse jogo duro
Se atira no escuro, não olha pra trás
Palavras que servem pra qualquer um de nós
Mas quando estamos sós, tanto faz
Não quero fracassar aqui
Você pode até sorrir contanto que colabore
Já afundei tantos amores
Depois dessas dores não espere que eu implore
Mesmo que eu concorde
Talvez sem que recorde, esse é o décimo pedido
Evite o gastar os meus joelhos
Escute esses conselhos ou estarei perdido
Nada de parar agora
Ainda não chegou a hora dessa despedida
Se vai embora
Da porta pra fora, qualquer dia, te encontrarei perdida

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Azuis

Quando eu puder saber que ainda sou mulher
Mesmo parecendo um instrumento de trabalho qualquer
Hei de estar repousando nos braços seus
Exalando o amor de sonhos meus
Então vou dizer que te amo da maneira que encontrar
Seja em um suspiro ou num sorriso
Seja em sono manso ou um breve cochilo
Você irá prazerosamente saborear
A doçura infinda do meu gostar de gostar de você
Até posso prever a sua ingênua pretenção
Sentindo na palma da mão pulsar o meu coração
E num compasso sincopado descobriremos que
Amor rimar com dor é sintoma de perfeição
Tudo aquilo que se diz cabe no que não se diz
O fato de nem tudo poder ser realmente dito
Deixa tudo mais bonito, como uma consequência feliz
Os olhos ficam brilhando enquanto te olho
Como receptáculo de luas oscilando pelo céu
Ora minguando mágoas, ora cheias de mel
Quando as ruas da cidade me atravessam transversalmente
Tudo me passa na velocidade dos carros
Minto que não penso nessas coisas e, para isso,
Penso e repenso mesmo inconclusivamente
Todo horizonte é belo, assim será
E quando nossa paixão se encontra nas entranhas dele
Estranhamente ganha tons de amarelo-cinza
Escurece ou se ilumina mas certamente anoitecerá
Ciranda de cores, sons e movimentados sentimentos
Rodando sempre,fazendo tudo mudar
O que ali existe vai se espalhar a favor dos ventos
Para germinar idéias nesse e aquele lugar
Ainda assim não percebemos
O quanto de nós isso tudo vai levar
Então a gente vai do jeito que acha que dá
Só queria dizer que estou chegando, nego
Rezando pra que esteja a me esperar
Como e quando, por favor, desconsidere
Não permita que nenhum fator possa nos derterminar
Que seja deliberadamente nossa determinação
O que aconteça ou não
Fogos de artifício que bricam em nossos corpos
Iluminando a noite e carbonizando tudo
Até que fique louco, cego, surdo e mudo
Até que me percam o controle e a satisfação
Como um peixe fisgado
Sei do anzol, vou e como mesmo assim
Nesse morro que não morro fica complicado
Será que vai me soltar, prender ou comer?
Se a gente se tortura, melhor andar por aí.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sereno

Só a noite vem chegando
Uma hora de cada vez
A gente fica com um pé atrás
No minuto que jaz
E um pé embarcando também
No minuto seguinte que vem
Gente está por todo lugar
Sempre existindo até que
Esse nunca enfim aconteça
Nem que seja só na nossa cabeça
Numa questão de concepção
Pra lembrar que o sol nascerá
Amanhã e depois de amanhã
Um novo dia virá
Pra se parecer com os outros
Ou pra ser algo de novo
Ninguém sabe como será
No meio de tanta incerteza
Nossa natureza se vira como pode
Lágrima derramada
Por quem vê tudo
Por quem vê nada
O peito explode
Como galaxias e estrelas
Então como não tê-las?
Pensei quando vi ela chegar
Toda em flor, mal de amor
Com o rosto orvalhado
Disfarçado por não disfarçar
Diz que é sereno da madrugada
De quem frequenta a batucada
E ninguém te vê chorar
Quem vai imaginar?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Caminho

Meu caminho é raso
E ele só arrasa quando o tempo passa
Ele não tem volta
Sendo assim, da voltas
E nunca que nunca para
Meu caminho é de sol
Meu caminho é de chuva
E ,além disso, ele enlua
Está debaixo de um céu
Sempre banhado por mar
E, mais de um milhão de vezes,
Vento sopra
Meu caminho desperta
E, as vezes, vai dormir
Mas se nega a indicar direção
Entre ficar ou partir
Ele me leva pro sim
Até que alcance o não
Percorre esse mundo todo
E está na minha mão
Meu caminho me leva pra ti
Meu caminho te deixa pra lá
De repente, dispara a fugir
Sem saber pra onde levar
Deixa eu te convidar pra seguir?
Deixa eu seguir, pra te convidar...

sábado, 2 de maio de 2009

Por uma vida mais ordinária

Chega de me fazer sofrer
Não vou mais ouvir dizer
Como sentem dó de mim
O dinheiro é curto, o tempo é pouco e o cansaço é sempre
Mas desde cedo sabia que seria assim
Trabalho demais, me canso demais e gasto demais
Como tanta gente faz
Agora assumo o compromisso de me deixar em paz
Afinal, também somos animais
Acontece que ainda estamos aqui
Debaixo do azul desse maravilhoso céu
Basta ter sol pra esquentar a praia que tá lá
Coberta pelo mar, que se faz de véu
E quando a vontade bater na armadura de pedra
Não se faça de forte, não mande embora, não deixe cair
Entenda como uma ordem, abrace
Se obrigue a partir
Nunca esteja lá quando queria estra aqui
Essa é uma campanha sem norma e na manha
Para diminuir a carga ainda que horária
Explicar as vantagens e desvantagens deliciosas
Da mudança por uma vida mais ordinária

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Pelo o que não é, não foi e não será...

Castelos de areia dos sonhos, escorrendo pelas mãos
Sem eles a vida se torna ainda mais difícil
É como caminhar pelo deserto e sofrer bem mais
Perdendo o direito a miragem, doce ilusão
Porque a vida não é feita só de verdades
Acredite, a mentira e a ilusão também são reais
Ocupam o devido lugar na bagagem, de toda viagem
Sejam corriqueiras, quase brincadeiras ou fatais
Quando te imaginei, te vi e te quis
Arrisco a dizer que fui muito feliz
Na expectativa de querer e enfim te ter
Mesmo não concretizando quase nada
Desse mundo construído por sentimentos impalpáveis
Quando você me esquece, sem o vento bom de suas palavras
Nada mais se aquece, florece ou enobrece
Minutos se transformam em horas lamentáveis
O dia desbota aos poucos, sem calor e sem ofegar
A solidão parece maior, ocupa tudo e bate forte
Ás vezes, só a vontade de chorar aparece
Pelo o que não é, não foi e não será