sexta-feira, 26 de junho de 2009

Tudo de bom

Boa noite!
Que essa noite só é noite
Porque diz que é noite não
Vai ficando, até que chegue um dia
Bom dia!
Que esse dia só é dia
Porque diz que é dia não
Vai raiando, até que chegue a hora
Boa hora!
Que essa hora só é hora
Porque diz que é hora não
Vai passando, até que você chega
Você é bom!
Que só é você e você
Porque diz que você não pode ser
Vai querendo, até que chegue amor
Bom amor!
Que esse amor só é amor
Porque diz que amor não é
Segue amando, até que tudo mais chegue
Tudo de bom!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Para o dindo

É sopa!
Eu me derreto toda, eu me derreto toda...
Basta tu me sorrir um pouquinho
Me acena de lá com um carinho
Vem se aproximando, mansinho
Como um bicho pra comer na mão
É sopa!
Eu me derreto toda, eu me derreto toda...
Basta tu esquentar um cantinho
Me falar o que quer com jeitinho
Vem pedindo e dando beijinho
Como um sabe tudo, dom Juan dos bons
É sopa!
Eu me derreto toda, eu me derreto toda...
Um dia me disseram que eu era dificil demais
Apenas respondi: É moleza meu rapaz!
Meu coração é como de qualquer moça
Só difere na proporção: de mar pra poça
É sopa!
Eu me derreto toda, eu me derreto toda...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ella

Rubra, carne...
Vermelha intensa viva
O sangue que jorra quer dizer
Sou quente e fulgaz
Sangue que percorre artérias, veias
Vai parar nos olhos que lhe veem
Olhos que só querem lhe dizer
Mas não se engane
Sou quente e fulgaz
Ainda mais quando me bate
Com requentinte de um batuque
Vou nesse baque
Faço funcionar o que se diz coração
E tudo vai funcionando atrás
Cheia de ritmo, no balanço das cadeiras
Das eiras até as beiras
Dança que dança na dança
Vai e diz que vai e também
Nas coisas que diz que vem
Seja na asa do avião, via sedex no cartão
Seja chegando no trem
Eu sou, estou e vou
Em tudo que já escutou
Nas letras de qualquer canção
É brisa! É furacão!
Rubra, carne viva...
Valentia pura e dolorida
Na aventura de existir dia após dia
Sob sol e chuva, sereno e lençol
Rubra carne viva de mulher

sábado, 6 de junho de 2009

Saiba

Criaturinhas de deus andam por aí
Rolando na relva, brincando na selva
Voando cruzam os céus e o infinito
Vejam como tudo é tão bonito!
Criaturinhas de deus são elas, vocês e eu
E todos vivemos por lá e por aqui
Isso porque todos somos parte desse deus
Que dessa maneira não diz olá nem adeus
Tudo está sempre por todo o lugar
Não tema, seja feliz
A realidade?
A realidade é que todo mundo se sente sozinho
E ninguém está sozinho nesse mundo
Existe a necessidade de se sentir único, autêntico, singular
Quando tudo o que fazemos é plural, compartilhado, coletivo
Nessa fantasia de solidão, na verdade, não queremos estar
Pois o que fazemos senão procurar companhia?
Tentamos encontrar alguém que esteja perto, encontramos
Mas, não satisfeitos, procuramos quem esteja bem perto
O que com algum esforço encontramos e, a partir daí,
Passamos a procurar alguém que esteja perto demais
Difícil...
Ainda mais que essa questão de distância é tão relativa
Que determinar o grau de proximidade passa a requerer
Uma seleção de critérios
É! Seria bem mais fácil aceitar que não se está só
As pessoas e as coisas que as pessoas fazem estão ao nosso redor
Bastar abrir olhos, ouvidos, braços, pernas, boca e nariz
Deixar-se inundar de presença como uma casa em festa
Tão somente abrir as portas...
Talvez você não precise do que acha que precisa
Talvez essa falta que sente seja um engano
Talvez o exercício de dar seja o exercício de receber
Se puder perceber que não precisa ganhar exatamente o que deu
Já que suas necessidades são outras...
Talvez a dor seja mesmo inevitável e o sofrimento seja mesmo opcional