sábado, 29 de setembro de 2007

O ilusionismo


Olhando pro céu como quem olha pro chão

Passo na rua como pra quem tanto faz

Pra onde vai, se chega ou não

Então...

Ela sente que me perco , vem e me fala

Que você não é o que eu mereço

Não entende porque escolho pagar esse preço

Se tem um troco, que tanto pior, compensa ainda menos

Apostando num vejamos que simplesmente não veremos

Posso explicar mas não justificar os meus vícios

Pois, muitas vezes, deles discordo

E quando se trata de viver e ser feliz

Ando de mãos dadas com Vinícius

Prioridade ao primeiro, com satisfação

Valendo-se de outras palavras, assim ele diz e assim ele quis

Porque o que a gente quer é sempre tão mais

Do que aquilo que supostamente merece

Que mesmo tendo o que se quer em parte

Mais do que o merecido ainda parece

O que a gente quer sempre tanto arde

Que nem se sente enquanto padece

Enquanto perder o que se merece

Causa o maior transtorno, a dor da dor em dor

Além da fustração e do estresse

domingo, 23 de setembro de 2007

Gravitacional


Cai... de repente, se vai o dente
Depois do doce, depois do osso, depois do almoço
Quanto alvoroço!!!!
Que caia então !
Caia e role pelo chão
Eu tive mesmo que devorar tudo
Porque logo após do dia que me vai
Sou eu quem cai e não me levanto mais
Cai a tarde no meio do mar
Ainda não está na hora
Mas tanta hora já chegou e tanta hora foi embora
Repensemos essa questão
Talvez não exista hora certa
Talvez não nos caiba disso saber
Que caia então!
No meio do mar e do sertão
E que possa correr até lá
Para que ela escorra pela minha cabeça e repouse sobre minha mão
Cai sua cabeça sobre o meu seio que sai
Da blusa que você tirou, a minha e a sua
Nem estou certa de que é amor que atrai ou não
Nem posso jurar não ser medo de solidão
De quando, não tão logo, o mamilo mirar o chão
Pouco importa agora, cantai canção
Que um dia se esvai meu coração
Do cansaço, do sonho, da realização, da decepção
Nada resiste á queda
Ou a contração
Nesse eixo onde o eu, dependurado, existe

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Navego em transe sob um mar revolto
Tenho apenas a urgência de chegar
Não vejo caminho e as estrelas não o indicam
Nem mesmo a lua consegue a escuridão dissipar
Percorro solene a planície de sua pele
Tentando achar fenda onde possa penetrar
Tão embreagado pelo desejo que me provocas
Que a tua alma mal consegui tocar
Mas não sou aquele indo ao encontro de circunstâncias
Nem quem procura fatos onde eles nada valem
Vou a luta e acredito e me convenço
De que não estou aqui porque perco
Muito menos pelo o que venço
Estou esfolado aqui para não estar lá, inerte
Sem cabeça e portando um lenço
No fundo nem sei o porque
Sem problemas pra reconhecer
Quero... quero tanto...
Mesmo que não possa saber

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Os soldados do rei Dom Sebastião

Uma vez tive medo de morrer
Foi quando eu falei com meu pai
E ele me disse que esse medo eu podia esquecer
Pois inevitávelmente iria acontecer
Nesse caso, o medo não iria ajudar
Passei boa parte da vida tendo medo dela
Acordava com os músculos tensos por vários dias
Mas esse eu nunca contei
E demorei muito a identificá-lo
Dele nunca me esqueço
Enfrento toda abençoada manhã
Antes de sair e lutar contra o mundo inteiro
Vencer ou perder de outros
Luto contra mim mesmo
Tentando me convencer de que a vida não é inevitável como a morte
Ela pode acontecer ou não
Ela pode ser assim ou assado
Dela eu faço parte
Logo, faz diferença ter medo ou não
Assim como faz diferença ter coragem

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Dois corpos, espaço e tempo

Você está tão atrasado, baby
Tanto que nem pode imaginar
Não é tão complexo assim
Seu corpo ficar convexo ao meu
Prefiro acreditar que você se perdeu
Enquanto fazia de conta que não me procurava
Uma bobagem bem fundamentada
Mas que deu em nada
Só pra fazer parecer que eu ia antecipar
Enquanto fingia
Eu sorria, imaginando nossas histórias
Que são pra nunca mais
Foram para mim
E você não pode desfrutar, que pena...
Não vais chegar antes que eu saia de cena
Como disse, sou uma estrela
Diante dos seus olhos está a luz
Que refleti à muitos mil anos atrás
Admira daí, de longe
Talvez quando resolver viajar pra me ver
Quando estiver sonhando em me tocar
Eu nem exista mais
Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço
Todo mundo sabe, mas poucos puderam comprovar
Isso me leva a concluir
Que somos parecidos demais
Até mesmo pra coexistir...
Sem a paciência que Deus prometeu me dar
Antes mesmo de nascer
Me faço esperar
Está tão atrasado, baby
Considero que não chegue e considero que não ame
Mesmo que ainda nem saiba
Pena que pra sempre é tempo demais
O tempo de agora pode não ser suficiente pra você chegar
Enquanto eu ainda esteja
Quanto mais a oportunidade pra pensares melhor
Ou voltar atrás?!
Essa não existe mais.

sábado, 15 de setembro de 2007

Palavras de Fernandez Miró



Nas subidas e descidas
Á caminho de Macchu Pichu
Enquanto estrangeiros conversavam entre si
Tentando ressaltar as semelhanças de suas vidas
supostamente tão diferentes
Eu dava atenção, despretensiosamente
Às lamúrias das mulas
Elas eram a metáfora viva
Não pude negar
Não que tenha me despertado alguma ternura
A função que ali desempenhavam
Mas ali me vejo
Quantas vezes me vi numa situação de teste
Sendo que não queria provar absolutamente nada
Simplesmente nem sabia porque de assim estar
Tendo que usar de todas as minhas habilidades
Tendo de vencer, de superar... sem ao menos assim escolher
Muito além de todo essa reflexão emperiquetante
Vem a dor física
De alguém que anda cabisbaixo com os músculos retraídos
O peso de um mundo inteiro nas costas
O peso da alma... ah!
Dá vontade de arriar e correr!!!
Sempre há quem acredite que a gente pode levar alguma coisa á mais
Engraçado...
Dá um torcicolo e se entorta pra um lado
Olha pra um lado porque olhar para o outro dói
Identificação
As lamúrias das mulas também são minhas
Elas não sabem
Eu sei
A partir daí nossas semelhanças precisam acabar
Não se dar conta é como ter respaldo
Logo assim, não estou totalmente protegido pelo acaso
Cada um faz o que pode
Tentando poder fazer cada vez mais
Isso não se deve evitar
Se eu tentar evitar
Vou ter que conviver com a certeza
De que sou mais mula que as mulas
Sem usufruir do que há de bom nisso

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Choco

Como dar tanto sabor á quem te prova
Provocar tanto desejo em quem te aprova
Uma gama de sensações provocadas
Por um bom bocado de suas pequenas porções
Você faz inchar e sorrir
Faz bem ao paladar de quem puder deglutir
Doce?
Nem sempre...
Te colocaria pau a pau com o mais louco dos ácidos
trocaria por pouco,acho
Enjoaria mas não deixaria de comê-la
Diriam até que estou insano
Mas é o meu estômago, meu sexo, minha vontade de poder
Eles também tem sem próprio plano
Sobre o qual não me permitem dizer
Quero que absorva assim...
tudo de mim...
Pra que possa enfim ser oco, como um côco
Minha Choco

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Entre girassóis e margaridas


Bom dia , dia!

Dizem as flores do jardim

Que saudam o sol com alegria

Impossível não ceder

Á esse imenso sorriso no céu

Será que ele pode aquecer

Esse coração de pedra lunar?

Dissolver a tudo...

Deixar mudo

O que ele quer esquecer

São tantas cores sob o meu olhar azul-cinzento

E tantas noites povoando meu pensamento

Como absorver a luz desse dia

Que a flora sorria?

Só sinto que não quero me preocupar

Nem me importar demais

Muito menos sofrer ao te antecipar

Então caminho entre as flores

Vou colhendo sabores e novos amores

Colhendo ilusão em cada estação

Sem se machucar

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Miragiando


Tenho febre e fome
Nada pode ser feito
Na boca calo seu nome
Receio pelo que prota no peito
Não diga que é assim porque quero
Sabe bem que não pude escolher
Se por instante tivesse na mão o destino
Isso não seria nem eu e nem você
A rua está cheia de gente
Carregando guada-chuvas abertos
Creio que para a chuva torrencial
Mesmo estes estarão descobertos
Então porque se proteger?
Qual a função da reles ilusão?
Quando a verdade protege mais para aquilo que está por vir
O faz de conta do agora e do aqui
É apenas uma forma de proteger os olhos com as mãos
Enquanto um filme de terror assistir
Olhe pra mim ao menos uma vez
Sem trocar o sim ou não por um talvez
E poderei te deixar para ela
Se for só mais uma alucinação
Da fome e da febre que agora me assombram
Nem sequer olhe em minha direção
Parta sem me dar explicação

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Para a ovelha tranquila


Minha minha se vai

Lá pro Paraguai

Vai pra lá

Chorar no Paranoá

Sou a brisa que seca

Toda lágrima que cai

Mas eu choro também

Quando minha minha sai

Toda despedida parece passagem só de ida

Deixa tão dividida

Que felicidade se distrai

Hora está aqui, hora está pra lá

E quase sempre não sei onde ela está

Fico na estação

Fico em estagnação

Estigmatizada, abalada, dolorida

Entre a alegria da chegada e a dor de sua partida

Se a minha que é tão minha

Já não pode ficar

Se eu que sou tão sua não posso ir

Basta que comecemos a inventar

Melhores formas de nos despedir

Só não peça para não chorar

Como não proiba de de repente sorrir

Se um pé de vento não me levar pra lá

É um pensamento que trará ela aqui...

Tão perto e tão longe de ser bobo


Vou andando

Numa esteira gigante

Com vontade de correr

Mas nunca saio do lugar

Será que consegue entender?

Tão idiota...

Vou cantando uma canção

Bem baixinho

Baixo pra nem eu ouvir

Mas me preocupo tanto com a letra

quanto com a entonação

Pode se perguntar: Porque?

Tão idiota...

Por mais que eu mesma saiba

Não há nada que eu faça

Que possa modificar

Essa eterna inquietação

Veja o amor que eu te dei

Veja quanto tempo eu te amei

Por mais que você dissesse o quanto não se importa

Fechando janelas e portas...

Mesmo assim fiquei na calçada

Com estrelas e sacadas

Depois simplesmente virei as costas

Da maneira mais... idiota.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Um dia de paz para sair de si mesmo




Dar de cara com um ypê amarelo, em flor
É como dar de cara com um imenso sorriso
Que desponta brilhante em meio as cinzas
de uma tarde quase de chuva
Ver nuvens assim, a um passo da chuva
É um agonizar descolorante
Que faz murchar as sementes
De qualquer possível alegria
Pensar em possíveis alegrias
É como ler uma carta ignorando o remetente
Hora se faz por não querer saber
Hora porque já se sabe
E quase sempre, sentimos por não ser
de onde gostaríamos que fosse
Enfim, pensar em ypês,sorrisos,nuvens, chuva e
possíveis alegrias
É nunca pensar naquilo por si só
Afinal, são todas as outras coisas juntas
que não nos deixam soltos no mundo
Para que nada exista sozinho

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Do alto do céu ao fundo do mar


Sob a luz de um céu cheio de estrelas

Que mortas, ainda brilham

Sonhei demais

E nunca pude tocar

Precisava muito comê-las

Absorvendo a luz que irradiam

Para além de uma fome voraz

A escuridão densa, se dissipar

Morri sem sentir

Há quem queira mentir

No entanto, eu não

Abracei essa ilusão

Querendo-a vivi

Querendo-a parti

Sob as águas salgadas de um mar que guarda estrelas

Que para si não chamam atenção

Me afoguei em lágrimas e sais

E nunca poderia voltar

Nem tão pouco gostaria de detê-las

Saboreava, ainda assim, satisfação

Estrelas do mar não tem porto nem cais

São felizes á dançar

Morri porque vi

Feliz me senti

Por tocar essa ilusão

Na palma de minha mão

Extinguiu-se o querer

Que perturba o viver

Sereia trocaste as asas por nadadeiras?

Ou apenas trocou esperanças por aventuras derradeiras?


'Put on my dress... I'm going out dancing'

Sente ...
Tome pulso
Uma locomotiva
Um avião
Estou saindo á procura
De algo que ainda nem sei
Não parece excitante?
A sutil aproximação de um instante
Que talvez não possamos prever
Deus sabe como desejo ofegar
Embassando as janelas das casas
Daqueles que ainda conseguem dormir
Não existem mais palavras que queira dizer
Nem tão pouco pretenções sobre você
Hoje estou sozinha
Dançando sobre a linha
Que divide o céu do mar
Me entreguei à tempestade
A tempestade me tragou
Por isso posso estar diante da porta
Querendo sair sem conseguir
Mas nada pra sempre será
Daqui á alguns minutos não mais
Estou indo de alguma forma
Prestes a encontrar tudo aquilo que não procurei
Deixando tudo o que tanto quis
Para realamente ser feliz

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Quase tão louca quanto Ana Maria


Cortem a cabeça do bobo da corte
Acabem de vez com as suas macaquices
Pois se tentamos mascarar nossas tolices
Ele as coloca em evidência no salão
Enquanto a cabeça rolar pelo chão
Talvez ele se sentirá feliz
Pois conseguimos enfim entender
A mensagem...
O bobo é, literalmente, o bobo de nós
A corte
Imitando a corte, caricaturando,
Sem que possamos nos perceber
Fazendo-nos rir e tripudiar de nós mesmos
Eis a nobre e digna missão deste palhaço
Refletir em si o que não vemos em nós
Nos colocar frente a frente, sem causar embaraço
No entanto, á quem chore a encontrar o palhaço
Quem consegue ver com clareza ao que ele se presta
Que tolo sou eu... que tolo sou eu...
Pena que quando olho por essa aresta
Vejo que a alegria que ele causa, em mim se perdeu
Não posso olhar nos olhos dele agora
Um de nós vai ter que ir embora
Sem dar muita explicação
Enquanto ele se apresenta, deixo o salão
Espero que um dia a cabeça do bobo da corte
Alguém possa cortar
Pois... diante dos fatos... eles rodopiam em minha mente
Dentro da cabeça que vou guilhotinar

terça-feira, 4 de setembro de 2007


Quem sabe um dia descubra a verdade. Quem sabe até já saiba. Talvez não caiba á mim ou á ninguém mais. Existem coisas e coisas. Sempre coisas demais. Difícil é mesmo decidir. Abrir mão de um milhão, para estar aqui. Nunca saber. Ainda que me faças mal, por mais que me sinta bem. Alcoolismo. Mais um vício. Ilusão rima com solidão. Meia ao meio. Incapaz de cuidar de mim. Você ou eu. Não sei. Nem saberei.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Entre Cleopatra e Eu


Solidão

Como Cleópatra

Quando chorou o Nilo

E ninguém viu

Ela soluçou e não se ouviu

Só o Sol apareceu

Se acendeu todo

Pra secar o rosto dela

Talvez por isso

O dia no deserto do Egito

Seja quente

Enquanto a noite seja gélida

Pois a Lua sabe que é preciso

Resfriar a supefície de um coração

Que se aquece demais

Ardendo em febre

Produzindo miragens

Fiquei perdida nos castelos de areia

Não sei mais o caminho

Preciso descobrir uma forma

De concentrar minha paixão

E muito racionalmente, canalizar

Para que ela se torne construtiva

Ao invés de dilacerar-me

Como Cleópatra

Que amou sua terra

Que amou sua nação



domingo, 2 de setembro de 2007

Meia noite


Hello, John!

Tudo bom?!

Você sabe o que está acontecendo?!

Não...?!

Mas pelo menos deconfia

Nessa vida a gente precisa levantar hipóteses

Que terão ou não a confirmação

Veja essas outras pessoas

Cada qual, absorvida pelo seus problemas

O que podemos fazer por elas?

Nada...?!

Nada é só um ponto de partida

Porque se você tocar a gaita

Billie canta

E todos vão se divertir

Quando todos se divertem

Saem de si....

Se tornam livres sem saber

Sem ganhar e sem perder

sábado, 1 de setembro de 2007


A pequena princesa do pequeno príncipe encontra a rosa também

Veja que meu desejo é a raiz
Onde floresce quase tudo o que eu quis
No entanto, tudo o que bem não saiu
Tudo enquanto é flor que não se abriu
Convertido está, em espinho se transformou
O desejo que não se realizou
Esse espinho que fere
Com ou sem finalidade
A raiz não difere
E assim como nutre pétalas para a flor
Também fortalece do espinho a brutalidade
De certo não há conspiração do universo
Que seja contra ou á favor disso
Mesmo que se note que algumas flores não tem espinho
Acho que é a determinação que escolhe o caminho
Mas não sou como aquele que desiste
E arranca a raiz, por prever a empreitada
Penso que depois de enfileirados de espinho, a flor existe
Coloco a mão com cuidado
Até quando impossível não sair machucada