terça-feira, 11 de setembro de 2007

Miragiando


Tenho febre e fome
Nada pode ser feito
Na boca calo seu nome
Receio pelo que prota no peito
Não diga que é assim porque quero
Sabe bem que não pude escolher
Se por instante tivesse na mão o destino
Isso não seria nem eu e nem você
A rua está cheia de gente
Carregando guada-chuvas abertos
Creio que para a chuva torrencial
Mesmo estes estarão descobertos
Então porque se proteger?
Qual a função da reles ilusão?
Quando a verdade protege mais para aquilo que está por vir
O faz de conta do agora e do aqui
É apenas uma forma de proteger os olhos com as mãos
Enquanto um filme de terror assistir
Olhe pra mim ao menos uma vez
Sem trocar o sim ou não por um talvez
E poderei te deixar para ela
Se for só mais uma alucinação
Da fome e da febre que agora me assombram
Nem sequer olhe em minha direção
Parta sem me dar explicação

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