segunda-feira, 14 de junho de 2010

Antes de dormir

Vem a noite engolindo o dia
Silenciosa e fria
Trás ao mundo a escuridão
A lua não esboça um sorriso
Muita gente está dormindo
Mas permaneço em prontidão

Acendo um cigarro pra escrever
Juro que não sei pra que
Vou procurando inspiração
Penso no meu bem agora acordado
Queria ele do meu lado
Mas vou dormir com a solidão







quarta-feira, 9 de junho de 2010

Retrato do poeta

Sangue, papel e caneta
O poeta já vai começar
Manda abrir a cerveja
Também o maço, a moça e o bar
Ele hoje está envenenado
Está sem rumo, sem prumo, sem lar
Mas não é isso que se pinta num quadro
Não revela no retrato um encontro sem par
Nele, mesmo só, se mostra como é de fato
Só alguém que vive de amar

É de verso que ele percebe a falta
Da falta que ela te faz
Como se agora estando em outros braços
Se sentisse abraçado por um pouco de paz
Parece sempre afoguiado, cantarolando
E nem sabia que disso era capaz
Por estar no momento presente
Deixou passado e futuro pra trás

Te ter

Tua pele me deixa com uma sede
Como de fogo que não se pode apagar
Teu corpo deixa em mim um rastro
Como o deixado na areia pela onda do mar
Teu braço me deixa tão leve
Como se fosse uma pluma no ar
Teu beijo me deixa sossegada
Como se a paz brotasse em todo lugar

Teu sim me liberta de mil angústias
Como se à todas deixasse em eterna alforria
Teu não me consome em arrepios
Como se deixasse antecipar o frio de outros dias
Teu olhar me preenche as arestas
Como se deixasse a certeza da alegria
Teu gênio me surpreende
Como se deixasse a fever até a água da pia

Teu amor envolve simplesmente
Como se fosse tão leve quanto o ar
Teu ciúme me delicia
Como se fosse maracujá com açúcar
Teu humor é contagiante
Como se o sol pudesse gargalhar
Teu cheiro é inebriante
Como se lançasse perfume no ar

Tua... estou...sou então
Como se saltasse de paraquedas no teu coração