terça-feira, 20 de novembro de 2007

Vício



Sai daqui
Da sala
Do quarto
Da cama
Do porta retrato
Sai de cena
Da minha boca
Do meu corpo
De minha cabeça
De-sa-pa-re-ça
Saiba que eu não presto
Confesso
Pode publicar no seu manifesto
Que eu te amo
Esperando tu se manifestar
Para além de sua indiferença
Que não sei se adoro ou detesto
Te testo
No meu próprio corpo
Como um cientista louco
Tentado fazer isso dar certo
E á cada efeito colateral
Me envenena
Tão visceral
Meu essencial
Já sente sua falta
Corto, então, na própria carne
Essa carne que ao te atrair
Te exalta e me trai
Imploro...
Sai!
Desejando secretamente
Que me escolha para morar
Tentando discretamente
Ser o que lhe distrai
Impedindo que vá
Antes que eu saiba
Pra onde vai

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Sempre está pra chegar o tempo bom
O melhor da estação
A melhor letra de todos os tempos
Entrando em concenso com a melhor canção
E o aqui e agora é bem melhor quando foi embora
Escorregou e fugiu da nossa mão
Quantas vezes me perguntei sobre nós
Nunca tive resposta até que acabou
E essa saudade é um ultrage, vergonhoso e trágico
Isso de viver pra alimentar o que sobrou
Distino patético que nem existe ao certo
Cada vez eu sei menos e vou mais
Nem miro e me atiro de peito aberto
Sonhando para amortecer a queda

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Se fosse tudo tão simples
Ainda não seria fácil
Estaria num impasse qualquer
Esperando um aceno
Que complementaria a sua encenação
Pro meu escuro e obsceno buraco
Cavado com sua propria mão
No lugar do que antes fora coração
Se fosse realmente complicado
A gente já teria se cansado
Cada um do seu lado da cama
Fingindo ocupar
Um lugar comum
Sem erro nehum
Mas nada disso é o que se vê
Nada disso o que a gente viu
Nada disso está entre o que a gente sabe
E talvez só não queremos que acabe
Pra que possamos descobrir
Onde isso nos levaria além daqui
Somos jogadores para além de vencedores
Ou perdedores
Nossa tristeza é ver o jogo se acabar
Como quem põe o barco no mar e sai
Como quem pega a mala e vai
Pensando bem mais em partir do que em chegar

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Me




Me tira daqui
Me atira na cara
Do meio da rua
Me manda pra lua
Me põe na tua casa
Que a gente se casa
E eu posso ser tua
Eu posso ser crua
Posso ser de qualquer um daqui
Só...
Não me dê á mim
Não me dê á ninguém
Que por muito tempo já me pertenci
E por tempo igual, ninguém tive
Me desative
Me desarme
Pula meu muro e me salva
Me amarre
Me desturbe
Até que você se preocupe
Me procure
Me perca
Só...
Não me ponha cerca
Não me ponha a par da situação
Que eu tenho claustrofobia
Que eu não sei lidar com a razão