quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Madame Butterfly

Pequenas borboletas voando na boca do estômago
O verão ardendo em minha janela
O mundo se revelando para minhas lentes
Aparelhos eletrônicos enlouquecendo
Amo muito tudo isso mas
Sempre fica uma pontinha
A pontinha de uma linha que a gente puxa
Esse puxão vai desfazendo a trama
E quando a trama se desfaz, debaixo dos nossos pés
Ai... ai...! Nada é como é
Tudo é sempre um pouco mais
Dançando entre flores e lama
Sem negligenciar a beleza do verão
Vou mentindo, pontinho por pontinho
E os pontinhos se juntam num quadro de paisagem pintada
Os quadros se emparelham e compõem um cenário
O cenário cresce ao redor, longo e alto
Quando me dou por mim, cadê o mundo?!
Está atrás de um muro que se tornou quase intransponível
Ou o resgate vem me buscar ou o muro desmorona
Me enterra
Mas as estrelas estão lá, no alto de um céu
Solitárias na observação do mundo
Recebem a visita de Papai Noel na noite de natal
E só
Foguetes e astronautas
No mais, a vida é uma eterna troca de olhares
Nada de tristeza ou alegria
Mesmo assim faz algum sentido
Mais fácil de entender do que borboletinhas vivas
Voando no estômago de alguém
Talvez elas não sejam pra serem compreendidas
Se tratando apenas de pequenas rimas
Em polvorosa, tentando se fazerem entender

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Conto real

O meu bem tem outro bem
E eu não tenho ninguém
Digo porque me covém
Toda essa gente saber
O quanto esse me fez sofrer
Não é preciso fazer uma canção
Que a primeira nota já dá o tom
Dessa minha desilusão
Na verdade, nem estou muito aí
Que o que eu não gosto é de ser contrariado
Achava que era só te querer do meu lado
Pra você vir e ficar
Eu te quis, eu te quero
Você nem aí
E mesmo quando não te espero
Me desfaço ao te ver sorrir
Todos os meus outros "bens"
São muito bons também
Só não os deixo saber que te amo
Porque eles precisam pensar que me tem
Para dizer sempre sim
Para fazer e fazer e fazer.... amém!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Vício



Sai daqui
Da sala
Do quarto
Da cama
Do porta retrato
Sai de cena
Da minha boca
Do meu corpo
De minha cabeça
De-sa-pa-re-ça
Saiba que eu não presto
Confesso
Pode publicar no seu manifesto
Que eu te amo
Esperando tu se manifestar
Para além de sua indiferença
Que não sei se adoro ou detesto
Te testo
No meu próprio corpo
Como um cientista louco
Tentado fazer isso dar certo
E á cada efeito colateral
Me envenena
Tão visceral
Meu essencial
Já sente sua falta
Corto, então, na própria carne
Essa carne que ao te atrair
Te exalta e me trai
Imploro...
Sai!
Desejando secretamente
Que me escolha para morar
Tentando discretamente
Ser o que lhe distrai
Impedindo que vá
Antes que eu saiba
Pra onde vai

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Sempre está pra chegar o tempo bom
O melhor da estação
A melhor letra de todos os tempos
Entrando em concenso com a melhor canção
E o aqui e agora é bem melhor quando foi embora
Escorregou e fugiu da nossa mão
Quantas vezes me perguntei sobre nós
Nunca tive resposta até que acabou
E essa saudade é um ultrage, vergonhoso e trágico
Isso de viver pra alimentar o que sobrou
Distino patético que nem existe ao certo
Cada vez eu sei menos e vou mais
Nem miro e me atiro de peito aberto
Sonhando para amortecer a queda

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Se fosse tudo tão simples
Ainda não seria fácil
Estaria num impasse qualquer
Esperando um aceno
Que complementaria a sua encenação
Pro meu escuro e obsceno buraco
Cavado com sua propria mão
No lugar do que antes fora coração
Se fosse realmente complicado
A gente já teria se cansado
Cada um do seu lado da cama
Fingindo ocupar
Um lugar comum
Sem erro nehum
Mas nada disso é o que se vê
Nada disso o que a gente viu
Nada disso está entre o que a gente sabe
E talvez só não queremos que acabe
Pra que possamos descobrir
Onde isso nos levaria além daqui
Somos jogadores para além de vencedores
Ou perdedores
Nossa tristeza é ver o jogo se acabar
Como quem põe o barco no mar e sai
Como quem pega a mala e vai
Pensando bem mais em partir do que em chegar

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Me




Me tira daqui
Me atira na cara
Do meio da rua
Me manda pra lua
Me põe na tua casa
Que a gente se casa
E eu posso ser tua
Eu posso ser crua
Posso ser de qualquer um daqui
Só...
Não me dê á mim
Não me dê á ninguém
Que por muito tempo já me pertenci
E por tempo igual, ninguém tive
Me desative
Me desarme
Pula meu muro e me salva
Me amarre
Me desturbe
Até que você se preocupe
Me procure
Me perca
Só...
Não me ponha cerca
Não me ponha a par da situação
Que eu tenho claustrofobia
Que eu não sei lidar com a razão

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Plagiado

Criatura bizarra que mora no espelho
Onde você se esconde o dia inteiro?
Na garrafa do bar daquela rua
No cinzeiro, no isqueiro ou no cigarro?
No bigarro ou quando me agarro na privada do banheiro?
Não te vejo...
Mas eu sei que você sussurra me dizendo
Que posso voar
Te desejo e me convenço
Só percebendo nosso engano
Um segundo depois de pular
E no ar, nada mais nem além do aguardar o chão
Repensar a paixão, ruminar a dor
Com o poder de não ter como evitar a colisão
Talvez tenha optado pela fé, pois
Com religião ou não, ela se assemelha com um porre
Tanto no antes quanto no depois
Amarga ilusão á qual muitos de submetem
Consequências quase nunca se medem
Não estão organizadas numa fila por ordem de tamanho
Fecha os olhos, abre os braços e vai
Gozando e sorrindo até se dar conta de que cai
Aí, por mais que queira, não há nada á fazer
Deseja a morte por mais nada temer
A sua cabeça, sua culpa , sua sentença
Escolhida na hora da crença

domingo, 21 de outubro de 2007

Tô voltando pra casa


Não quero atenção

Que não me olhem porque estou num momento

Que nem sei

O que se vê nesse meu rosto?

O buraco dos olhos, a pupila pulsante,

Lubrificadora lágrima ou a laciva da insônia?

A boca portadora do sorriso, do grito, de nó

De vômito ou de cantarolar?

O nariz empinante estandarte do brio, do perfume excitante

Ou da corisa que o faz mirar o chão?

Ouvidos que ouvem ou ocos ouvidos de adorno?

Na testa, uma plaquinha que diz

Me mudei daqui.

E quando eu retornar a mim, quero fogos

Fogos de artifício explodindo nos meus orifícios

Essas beldades de cavidades que quero muito amar

Novamente

Haverá festa entre as minhas pernas, os joelhos comentam...

Quem sabe com um convidado especial

Que recepcione bem e que não se demore

Pois quem á casa retorna precisa aproveitar

Precisa redecorar.

sábado, 13 de outubro de 2007

Vitrolando The Cure

Nunca fui princesa
De toda brincadeira, fui fada
Fui cigana, boneca, borboleta
Nunca fui linda
De toda forma, sempre acanhada
Fui tímida, obscura, um pouco segura
Nunca fui pura
De quando em vez, esta pode ser considerada
minha atitude sincera... a de ser pensada
Nunca fui leve
De qualquer jeito, me deixei levar e foi
bom
E quanto aos amores, devo confessar que
Tomei e continuo tomando no cú
Digo sem mudar de tom, sem me exaltar ou
sem parecer jururu
Pois parece que, para alguns, amar é isso de tomar
no cú,
Engolir á seco, ficar rubra, mascar vários sentimentos
enquanto sorri
Depois, sentar pra escrever e produzir canções de samba,
jazz, rock e blues... outras mais
Produções mais centradas e mais carnavalescas
Saíram das mesmas situações que, mesmo parecendo um tanto
cabulosas, revelam novos prazeres
Que ,por sua vez, nos chegam de mãos dadas com estranhos quereres
Sobre os quais só ousará discutir
Quem se dispôs a sentir o amor
Mesmo sob sua forma mais animalesca
Tomar no cú dia após dia
Nem sempre se faz com alegria
Nem sempre se faz com pesar
Ás vezes, até se pode sentir a falta de tomar
e pastar... pastar... pastar
Ás vezes, fica alternativo demais e parece até mais legal
ser um tanto convencional
Acho que queria experimentar.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Em um cruzar de pernas


Hoje só posso citar Cobain
Na tentativa de te convencer
Diante da premissa de me satisfazer
"Rape me... rape me my friend. Rape me... rape me again!"
Vou frequentar a sua missa
E dizer-te um auto e sonoro amém
Porque quando de penso
Posso distrair-me com qualquer outro pensamento
Mas quando te sinto, em carne densa e viva
O que me distrai é a febre que me toma
E, em meu meio, se contrai a parte sensitiva
Frida sabia
Almodovár sabia
Dom Juan sabia
E até Zorro sabia
Que eu sucumbiria, se assim te sentia
Como um personagem de Gabriel Garcia
Nada posso contra que prazerosamente me estremesse
Um misto de agonia da tortura com tensa alegria
Desejo a cura e não estou certa de que a tomaria
Se pudesse

Pelas lentes fantásticas de Tunick

Que mais poderia eu, além de exibir,
Em minha carne crua, a fome
Que sinto pela sua
Perderei a vergonha na cara
E no resto
Quando vier ao meu encontro
Confesso
Sem prosa e sem verso
Só eu em você e você em mim
Nada generoso ou perverso
A realidade do cru
Sob a saboridade de nu
Agente sem cama e sem lençol
Expondo-se, feito cana sob o sol
Pedra, água, carne, erva
Se testando para saber o ponto
Que chegamos até que a alma se inerva
Que não nos seja estranho
As semelhanças com qualquer outro animal
Porém ressalva a diferença das coisas
Te gosto e te arranho
Me gosta e me arranha, de forma desigual
Vamos revelar nossa preferência
Por outros tipos de ilusão
Consideremos nossos corpos como um todo
Sem qualquer primazia ao coração
Vou te dizer o quanto gosto de tua língua
Sem constranger-te com alguma mágoa
Ou íngua

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Canção de um sapo jururu

Gloss foi feito pra adornar a boca
A boca do cigarro, do trago
Do recital e do pigarro
Mas quando se trata de uma boca feliz
Se abrindo toda
Bem debaixo do nariz
Está bem mais pro apelo que te faço
Vem colar e esfregar seus lábios nos meus
Sem qualquer embaraço
Que vou ficar com os olhos sorrindo
E o mundo trancafiado em segredo bolado
Vai se transformar em um dia de sol
Cheio de janelas se abrindo
Só pra ver se a chuva vai ter coragem de chuver
Tendo coragem, torcer pra que chova bonito
Porque eu digo todas as coisas pelo prazer de ouvir
Coisas , ás vezes, tão tolas
Que nem mesmo eu acredito
Assim faço e acontece a pequena grande diferença
Enquanto eles tentam acertar o discurso
Chamo a atenção para a beleza do percurso
Tudo isso pra dizer
Que mulher não é de se comer
No entanto, se o sentido for
Mais figurado do que pejorativo
Cá estou acenando pra sua fome
Com uma colher
Quero eu comer um homem
Penso apenas
Penso palavras que somem
Quando você chega perto
Perdem o sentido
Errado ou certo

domingo, 7 de outubro de 2007

Umbigo amotinado


Quero chegar bem de leve

Pisando nas pontas dos pés

Desfilando por toda cidade

Que se esconde nas casas do dia de domingo

Somente a solidão das ruas

Poderá acompanhar minha passagem

Tão logo chego e sigo viagem

Não me dê amor

Porque esse não posso carregar

Então não posso ter

Mas convido-te para ir comigo

Que amar é ter dentro de si algo que é de outra pessoa

Se quiser que o tenha

Venha comigo

Acerta quem diz que só posso estar fugindo

Para pegar a estrada no dia de domingo

Quem foge se assusta demais

Quem foge se defende demais

Quem foge deixa tudo pra trás

E se auto-persegue a vida inteira

Em páginas de vida, revista e jornais

Só se fala disso

Um verso que cale, é tudo o que preciso

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Recalque


Sou um labirinto onde me perdi
Por isso saio pelo mundo
Como quem sabe os caminhos
Que na verdade nunca vi
É que para quem está perdido
E não tem a pretenção de se encontrar
Qualquer caminho parece bom para andar
O mundo é mesmo tão bonito
Cheio de coisas e cheio de gente
Mas eu quero tudo do tudo disso tudo
Porque um pouco e em parte nunca me fizeram contente
Querendo tanto é tão difícil
Difícil é o que não deixa desistir
Se tivesse já um tanto de tudo aquilo
Talvez nem estaria mais aqui
Por isso amor, vou te dizer adeus
Não existe mais o que possa me dar dos encantos teus
Vou te presentear com a minha recompensa
E vou te deixar com a certeza de que venceu
Para que não percebas tão logo quando me perdeu
Sentido minha falta ou não
Lá se vai meu coração à procura de outro alguém
Sei que tem quem te dê o pouco que lhe convém
Agora entenda o que eu disse
Ninguém vai te amar como eu
Nem por pretenção e nem por tolice
Acho que isso já percebeu

Em um campo grande corre o vento

Entortando a grama alta

Fazendo-a virar e se revirar de um lado pro outro

Quase que faz enrugar o lago

Desprendendo folhas velhas que, tão teimosas,

Ainda se agarravam aos galhos

Assustando pássaros e outros miúdos animais

Beleza há mesmo na violência de sua violação

Transportando grãos de pólen e poeira

Parece besteira

Mas move morros e leva vida

E quando me vens como a brisa

Que já não tão leve anuncia

A tempestade breve ou o pesado temporal

Viola meus sonhos e torpes ilusões

Violenta as carnes de meu corpo

Disconsiderando a alma que fica dolorida

Mas em mim, comovida demais para perceber

Faz tanto bem quanto faz tanto mal

Que me sinto renascida, mesmo prestes à morrer

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Plano


Se eu te amasse e você me amasse

Seria o começo de uma bela história

Talvez sem clímax e sem glória

Mas a gente viveria querendo que nunca acabasse

Já se eu te amasse e você não me amasse mais

Eu iria torcer pra essa história terminar

Cantando baladas de cachorro louco, correria sempre atrás

Não importando quantos chutes iria levar

Porque quando a gente faz por a gente mesmo,

Sofrer ou não... tanto faz

No caso de você me amar e de eu não te amar

Iria logo, logo embora

Antes do nada e antes do agora

Só pra não ver você chorar, nem se humilhar

E, no revés de tudo isso, veja o que acontece

Eu decidi que te amo, não sei bem como e não sei bem quando

No entanto, você ainda não sabe se me ama ou se me engana

Ou sou eu que ainda não sei

Isso nos coloca no limbo, na pequena inércia que existe dentro da paixão

Posto que essa é uma explosão

Se já saímos voando

Se estamos numa cabana

Todo céu é igualzinho ao mar e ao chão

A loucura maior é ter de reconhecer

Que mesmo assim é bom demais estar com você

Não posso dizer que tenho pressa de isso tudo se acabar

E não posso dizer que não tenho pressa

Então, vamos logo ao ponto que me interessa

Ou vamos só ficar e esperar passar

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A trova do matador


Todo cantor provoca a própria dor
Ele afia a navalha nas cordas de seu violão
Depois enfia no coração e separa a parte
Onde o mal de amar mais arde
Toda canção é um rito, uma celebração
Dessa transição, dessa transformação
Onde todos jogam para fora
O que não estão bem certos de querer mandar embora
Tem gente que não chora
E tem gente que não sabe chorar
De quando em vez, cismo eu de me cortar
Pra ver se consigo acertar o pedaço meu que é seu
Mas sabe o que é?
Acho que sou mais você do que eu
E nessa poderia até me matar
Se quer saber...
Não quero me matar, quero viver contigo
Ao me cortar sangro tudo o que me tem de mais bonito
Vou tentando não escorregar dessa linha tênue
Do constante e eminente perigo
Estou perdendo o medo
Perdendo o freio
Posso não conseguir parar

sábado, 29 de setembro de 2007

O ilusionismo


Olhando pro céu como quem olha pro chão

Passo na rua como pra quem tanto faz

Pra onde vai, se chega ou não

Então...

Ela sente que me perco , vem e me fala

Que você não é o que eu mereço

Não entende porque escolho pagar esse preço

Se tem um troco, que tanto pior, compensa ainda menos

Apostando num vejamos que simplesmente não veremos

Posso explicar mas não justificar os meus vícios

Pois, muitas vezes, deles discordo

E quando se trata de viver e ser feliz

Ando de mãos dadas com Vinícius

Prioridade ao primeiro, com satisfação

Valendo-se de outras palavras, assim ele diz e assim ele quis

Porque o que a gente quer é sempre tão mais

Do que aquilo que supostamente merece

Que mesmo tendo o que se quer em parte

Mais do que o merecido ainda parece

O que a gente quer sempre tanto arde

Que nem se sente enquanto padece

Enquanto perder o que se merece

Causa o maior transtorno, a dor da dor em dor

Além da fustração e do estresse

domingo, 23 de setembro de 2007

Gravitacional


Cai... de repente, se vai o dente
Depois do doce, depois do osso, depois do almoço
Quanto alvoroço!!!!
Que caia então !
Caia e role pelo chão
Eu tive mesmo que devorar tudo
Porque logo após do dia que me vai
Sou eu quem cai e não me levanto mais
Cai a tarde no meio do mar
Ainda não está na hora
Mas tanta hora já chegou e tanta hora foi embora
Repensemos essa questão
Talvez não exista hora certa
Talvez não nos caiba disso saber
Que caia então!
No meio do mar e do sertão
E que possa correr até lá
Para que ela escorra pela minha cabeça e repouse sobre minha mão
Cai sua cabeça sobre o meu seio que sai
Da blusa que você tirou, a minha e a sua
Nem estou certa de que é amor que atrai ou não
Nem posso jurar não ser medo de solidão
De quando, não tão logo, o mamilo mirar o chão
Pouco importa agora, cantai canção
Que um dia se esvai meu coração
Do cansaço, do sonho, da realização, da decepção
Nada resiste á queda
Ou a contração
Nesse eixo onde o eu, dependurado, existe

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Navego em transe sob um mar revolto
Tenho apenas a urgência de chegar
Não vejo caminho e as estrelas não o indicam
Nem mesmo a lua consegue a escuridão dissipar
Percorro solene a planície de sua pele
Tentando achar fenda onde possa penetrar
Tão embreagado pelo desejo que me provocas
Que a tua alma mal consegui tocar
Mas não sou aquele indo ao encontro de circunstâncias
Nem quem procura fatos onde eles nada valem
Vou a luta e acredito e me convenço
De que não estou aqui porque perco
Muito menos pelo o que venço
Estou esfolado aqui para não estar lá, inerte
Sem cabeça e portando um lenço
No fundo nem sei o porque
Sem problemas pra reconhecer
Quero... quero tanto...
Mesmo que não possa saber

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Os soldados do rei Dom Sebastião

Uma vez tive medo de morrer
Foi quando eu falei com meu pai
E ele me disse que esse medo eu podia esquecer
Pois inevitávelmente iria acontecer
Nesse caso, o medo não iria ajudar
Passei boa parte da vida tendo medo dela
Acordava com os músculos tensos por vários dias
Mas esse eu nunca contei
E demorei muito a identificá-lo
Dele nunca me esqueço
Enfrento toda abençoada manhã
Antes de sair e lutar contra o mundo inteiro
Vencer ou perder de outros
Luto contra mim mesmo
Tentando me convencer de que a vida não é inevitável como a morte
Ela pode acontecer ou não
Ela pode ser assim ou assado
Dela eu faço parte
Logo, faz diferença ter medo ou não
Assim como faz diferença ter coragem

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Dois corpos, espaço e tempo

Você está tão atrasado, baby
Tanto que nem pode imaginar
Não é tão complexo assim
Seu corpo ficar convexo ao meu
Prefiro acreditar que você se perdeu
Enquanto fazia de conta que não me procurava
Uma bobagem bem fundamentada
Mas que deu em nada
Só pra fazer parecer que eu ia antecipar
Enquanto fingia
Eu sorria, imaginando nossas histórias
Que são pra nunca mais
Foram para mim
E você não pode desfrutar, que pena...
Não vais chegar antes que eu saia de cena
Como disse, sou uma estrela
Diante dos seus olhos está a luz
Que refleti à muitos mil anos atrás
Admira daí, de longe
Talvez quando resolver viajar pra me ver
Quando estiver sonhando em me tocar
Eu nem exista mais
Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço
Todo mundo sabe, mas poucos puderam comprovar
Isso me leva a concluir
Que somos parecidos demais
Até mesmo pra coexistir...
Sem a paciência que Deus prometeu me dar
Antes mesmo de nascer
Me faço esperar
Está tão atrasado, baby
Considero que não chegue e considero que não ame
Mesmo que ainda nem saiba
Pena que pra sempre é tempo demais
O tempo de agora pode não ser suficiente pra você chegar
Enquanto eu ainda esteja
Quanto mais a oportunidade pra pensares melhor
Ou voltar atrás?!
Essa não existe mais.

sábado, 15 de setembro de 2007

Palavras de Fernandez Miró



Nas subidas e descidas
Á caminho de Macchu Pichu
Enquanto estrangeiros conversavam entre si
Tentando ressaltar as semelhanças de suas vidas
supostamente tão diferentes
Eu dava atenção, despretensiosamente
Às lamúrias das mulas
Elas eram a metáfora viva
Não pude negar
Não que tenha me despertado alguma ternura
A função que ali desempenhavam
Mas ali me vejo
Quantas vezes me vi numa situação de teste
Sendo que não queria provar absolutamente nada
Simplesmente nem sabia porque de assim estar
Tendo que usar de todas as minhas habilidades
Tendo de vencer, de superar... sem ao menos assim escolher
Muito além de todo essa reflexão emperiquetante
Vem a dor física
De alguém que anda cabisbaixo com os músculos retraídos
O peso de um mundo inteiro nas costas
O peso da alma... ah!
Dá vontade de arriar e correr!!!
Sempre há quem acredite que a gente pode levar alguma coisa á mais
Engraçado...
Dá um torcicolo e se entorta pra um lado
Olha pra um lado porque olhar para o outro dói
Identificação
As lamúrias das mulas também são minhas
Elas não sabem
Eu sei
A partir daí nossas semelhanças precisam acabar
Não se dar conta é como ter respaldo
Logo assim, não estou totalmente protegido pelo acaso
Cada um faz o que pode
Tentando poder fazer cada vez mais
Isso não se deve evitar
Se eu tentar evitar
Vou ter que conviver com a certeza
De que sou mais mula que as mulas
Sem usufruir do que há de bom nisso

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Choco

Como dar tanto sabor á quem te prova
Provocar tanto desejo em quem te aprova
Uma gama de sensações provocadas
Por um bom bocado de suas pequenas porções
Você faz inchar e sorrir
Faz bem ao paladar de quem puder deglutir
Doce?
Nem sempre...
Te colocaria pau a pau com o mais louco dos ácidos
trocaria por pouco,acho
Enjoaria mas não deixaria de comê-la
Diriam até que estou insano
Mas é o meu estômago, meu sexo, minha vontade de poder
Eles também tem sem próprio plano
Sobre o qual não me permitem dizer
Quero que absorva assim...
tudo de mim...
Pra que possa enfim ser oco, como um côco
Minha Choco

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Entre girassóis e margaridas


Bom dia , dia!

Dizem as flores do jardim

Que saudam o sol com alegria

Impossível não ceder

Á esse imenso sorriso no céu

Será que ele pode aquecer

Esse coração de pedra lunar?

Dissolver a tudo...

Deixar mudo

O que ele quer esquecer

São tantas cores sob o meu olhar azul-cinzento

E tantas noites povoando meu pensamento

Como absorver a luz desse dia

Que a flora sorria?

Só sinto que não quero me preocupar

Nem me importar demais

Muito menos sofrer ao te antecipar

Então caminho entre as flores

Vou colhendo sabores e novos amores

Colhendo ilusão em cada estação

Sem se machucar

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Miragiando


Tenho febre e fome
Nada pode ser feito
Na boca calo seu nome
Receio pelo que prota no peito
Não diga que é assim porque quero
Sabe bem que não pude escolher
Se por instante tivesse na mão o destino
Isso não seria nem eu e nem você
A rua está cheia de gente
Carregando guada-chuvas abertos
Creio que para a chuva torrencial
Mesmo estes estarão descobertos
Então porque se proteger?
Qual a função da reles ilusão?
Quando a verdade protege mais para aquilo que está por vir
O faz de conta do agora e do aqui
É apenas uma forma de proteger os olhos com as mãos
Enquanto um filme de terror assistir
Olhe pra mim ao menos uma vez
Sem trocar o sim ou não por um talvez
E poderei te deixar para ela
Se for só mais uma alucinação
Da fome e da febre que agora me assombram
Nem sequer olhe em minha direção
Parta sem me dar explicação

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Para a ovelha tranquila


Minha minha se vai

Lá pro Paraguai

Vai pra lá

Chorar no Paranoá

Sou a brisa que seca

Toda lágrima que cai

Mas eu choro também

Quando minha minha sai

Toda despedida parece passagem só de ida

Deixa tão dividida

Que felicidade se distrai

Hora está aqui, hora está pra lá

E quase sempre não sei onde ela está

Fico na estação

Fico em estagnação

Estigmatizada, abalada, dolorida

Entre a alegria da chegada e a dor de sua partida

Se a minha que é tão minha

Já não pode ficar

Se eu que sou tão sua não posso ir

Basta que comecemos a inventar

Melhores formas de nos despedir

Só não peça para não chorar

Como não proiba de de repente sorrir

Se um pé de vento não me levar pra lá

É um pensamento que trará ela aqui...

Tão perto e tão longe de ser bobo


Vou andando

Numa esteira gigante

Com vontade de correr

Mas nunca saio do lugar

Será que consegue entender?

Tão idiota...

Vou cantando uma canção

Bem baixinho

Baixo pra nem eu ouvir

Mas me preocupo tanto com a letra

quanto com a entonação

Pode se perguntar: Porque?

Tão idiota...

Por mais que eu mesma saiba

Não há nada que eu faça

Que possa modificar

Essa eterna inquietação

Veja o amor que eu te dei

Veja quanto tempo eu te amei

Por mais que você dissesse o quanto não se importa

Fechando janelas e portas...

Mesmo assim fiquei na calçada

Com estrelas e sacadas

Depois simplesmente virei as costas

Da maneira mais... idiota.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Um dia de paz para sair de si mesmo




Dar de cara com um ypê amarelo, em flor
É como dar de cara com um imenso sorriso
Que desponta brilhante em meio as cinzas
de uma tarde quase de chuva
Ver nuvens assim, a um passo da chuva
É um agonizar descolorante
Que faz murchar as sementes
De qualquer possível alegria
Pensar em possíveis alegrias
É como ler uma carta ignorando o remetente
Hora se faz por não querer saber
Hora porque já se sabe
E quase sempre, sentimos por não ser
de onde gostaríamos que fosse
Enfim, pensar em ypês,sorrisos,nuvens, chuva e
possíveis alegrias
É nunca pensar naquilo por si só
Afinal, são todas as outras coisas juntas
que não nos deixam soltos no mundo
Para que nada exista sozinho

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Do alto do céu ao fundo do mar


Sob a luz de um céu cheio de estrelas

Que mortas, ainda brilham

Sonhei demais

E nunca pude tocar

Precisava muito comê-las

Absorvendo a luz que irradiam

Para além de uma fome voraz

A escuridão densa, se dissipar

Morri sem sentir

Há quem queira mentir

No entanto, eu não

Abracei essa ilusão

Querendo-a vivi

Querendo-a parti

Sob as águas salgadas de um mar que guarda estrelas

Que para si não chamam atenção

Me afoguei em lágrimas e sais

E nunca poderia voltar

Nem tão pouco gostaria de detê-las

Saboreava, ainda assim, satisfação

Estrelas do mar não tem porto nem cais

São felizes á dançar

Morri porque vi

Feliz me senti

Por tocar essa ilusão

Na palma de minha mão

Extinguiu-se o querer

Que perturba o viver

Sereia trocaste as asas por nadadeiras?

Ou apenas trocou esperanças por aventuras derradeiras?


'Put on my dress... I'm going out dancing'

Sente ...
Tome pulso
Uma locomotiva
Um avião
Estou saindo á procura
De algo que ainda nem sei
Não parece excitante?
A sutil aproximação de um instante
Que talvez não possamos prever
Deus sabe como desejo ofegar
Embassando as janelas das casas
Daqueles que ainda conseguem dormir
Não existem mais palavras que queira dizer
Nem tão pouco pretenções sobre você
Hoje estou sozinha
Dançando sobre a linha
Que divide o céu do mar
Me entreguei à tempestade
A tempestade me tragou
Por isso posso estar diante da porta
Querendo sair sem conseguir
Mas nada pra sempre será
Daqui á alguns minutos não mais
Estou indo de alguma forma
Prestes a encontrar tudo aquilo que não procurei
Deixando tudo o que tanto quis
Para realamente ser feliz

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Quase tão louca quanto Ana Maria


Cortem a cabeça do bobo da corte
Acabem de vez com as suas macaquices
Pois se tentamos mascarar nossas tolices
Ele as coloca em evidência no salão
Enquanto a cabeça rolar pelo chão
Talvez ele se sentirá feliz
Pois conseguimos enfim entender
A mensagem...
O bobo é, literalmente, o bobo de nós
A corte
Imitando a corte, caricaturando,
Sem que possamos nos perceber
Fazendo-nos rir e tripudiar de nós mesmos
Eis a nobre e digna missão deste palhaço
Refletir em si o que não vemos em nós
Nos colocar frente a frente, sem causar embaraço
No entanto, á quem chore a encontrar o palhaço
Quem consegue ver com clareza ao que ele se presta
Que tolo sou eu... que tolo sou eu...
Pena que quando olho por essa aresta
Vejo que a alegria que ele causa, em mim se perdeu
Não posso olhar nos olhos dele agora
Um de nós vai ter que ir embora
Sem dar muita explicação
Enquanto ele se apresenta, deixo o salão
Espero que um dia a cabeça do bobo da corte
Alguém possa cortar
Pois... diante dos fatos... eles rodopiam em minha mente
Dentro da cabeça que vou guilhotinar

terça-feira, 4 de setembro de 2007


Quem sabe um dia descubra a verdade. Quem sabe até já saiba. Talvez não caiba á mim ou á ninguém mais. Existem coisas e coisas. Sempre coisas demais. Difícil é mesmo decidir. Abrir mão de um milhão, para estar aqui. Nunca saber. Ainda que me faças mal, por mais que me sinta bem. Alcoolismo. Mais um vício. Ilusão rima com solidão. Meia ao meio. Incapaz de cuidar de mim. Você ou eu. Não sei. Nem saberei.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Entre Cleopatra e Eu


Solidão

Como Cleópatra

Quando chorou o Nilo

E ninguém viu

Ela soluçou e não se ouviu

Só o Sol apareceu

Se acendeu todo

Pra secar o rosto dela

Talvez por isso

O dia no deserto do Egito

Seja quente

Enquanto a noite seja gélida

Pois a Lua sabe que é preciso

Resfriar a supefície de um coração

Que se aquece demais

Ardendo em febre

Produzindo miragens

Fiquei perdida nos castelos de areia

Não sei mais o caminho

Preciso descobrir uma forma

De concentrar minha paixão

E muito racionalmente, canalizar

Para que ela se torne construtiva

Ao invés de dilacerar-me

Como Cleópatra

Que amou sua terra

Que amou sua nação



domingo, 2 de setembro de 2007

Meia noite


Hello, John!

Tudo bom?!

Você sabe o que está acontecendo?!

Não...?!

Mas pelo menos deconfia

Nessa vida a gente precisa levantar hipóteses

Que terão ou não a confirmação

Veja essas outras pessoas

Cada qual, absorvida pelo seus problemas

O que podemos fazer por elas?

Nada...?!

Nada é só um ponto de partida

Porque se você tocar a gaita

Billie canta

E todos vão se divertir

Quando todos se divertem

Saem de si....

Se tornam livres sem saber

Sem ganhar e sem perder

sábado, 1 de setembro de 2007


A pequena princesa do pequeno príncipe encontra a rosa também

Veja que meu desejo é a raiz
Onde floresce quase tudo o que eu quis
No entanto, tudo o que bem não saiu
Tudo enquanto é flor que não se abriu
Convertido está, em espinho se transformou
O desejo que não se realizou
Esse espinho que fere
Com ou sem finalidade
A raiz não difere
E assim como nutre pétalas para a flor
Também fortalece do espinho a brutalidade
De certo não há conspiração do universo
Que seja contra ou á favor disso
Mesmo que se note que algumas flores não tem espinho
Acho que é a determinação que escolhe o caminho
Mas não sou como aquele que desiste
E arranca a raiz, por prever a empreitada
Penso que depois de enfileirados de espinho, a flor existe
Coloco a mão com cuidado
Até quando impossível não sair machucada

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Mineirice

Quando eu acho que está tudo bem
E realmente nem sei se está
Me vem um dia nublado
Pintando tudo de cinza
Como um pós chaminé de trem
Porque me parece que todo dia nublado tem
Esse ar de que algo passou
O que ficou foi que ali está
Coisas que precisavam ir, mas por atraso
O trem não pode levar além
Ah!
Dia nublado, dia de ficar na estação
Esteja esperando ou mesmo desesperado

domingo, 26 de agosto de 2007

"Liberdade,igualdade e franternidade"

De braços abertos pra receber
Em mim, aos que dou de beber
Vem tomar no meu seio
Meu melhor
Que o que te faço com as mãos
Pode ser o pior
A configuração da santa
Sangra na não compaixão pela puta
Se alguém chora enquanto alguém canta
A maoir parte do mundo não escuta
Desfruta...
Sem se importar
Com aquele que luta
Dia-a-dia labuta
Mesmo nunca e nada irá ganhar
Pobre diabo lavrado
Encalescendo a mão no arado
Elas em mim mas parecem um lixa
Mas são bem vindas
Que na minha cama não haverá rixa
Apenas descanso e consolação
Porque a ti ofereço o que tenho
E ao que te padece ,pertenço
Só não tenho e nem posso oferecer salvação

sábado, 25 de agosto de 2007

Hilda e Malthus


Que que te faz

Deixar embutido

O que te é mais verdadeiro

Te queria inteiro

Porque duvido

Que fazendo isso esteja em paz

Espero que consiga respirar

Mesmo com o peito repriendido

Porque parece não lhe causar dor

Vou, levando o meu amor

Que ele aqui estará pedido

E sei que você não vai chorar

Também não vou, se quer saber

Fiz tudo, fiz o que podia

Até dizer que não era da minha conta

Onde será que desconta?

Esconde onde sua alegria?

Só me resta torcer

Pra que se dissipe seu medo de viver

Pra Ana menina

Foi Aninha que me disse
Meu bem não gosto de cê chorar
Pois prefiro o doce de tua saliva
De quando em vez sua boca beija a minha
Do que essa lágrima com o sal do mar
Ah!
Como não poderia sorrir
Quando Aninha me disse assim
Acho que ela gosta de mim
Mas agora tem que partir
Vendo minha morena ir
Estou sorrindo com vontade de chorar
Deus permita que essa vida
Que tanto tem chegada e partida
Não faça a gente se desencontrar
Ô!
Mar dobrou a volta do mundo
Traz notícia da minha
Pra sossegar o que no fundo
Só se aquieta na presença dela
Aninha...
O vento que vai tocar o seu cabelo
É meu suspiro
Escute com o carinho o seu susurro
Ele dirá que não te esqueci
Vendo seu rosto onde quer que me viro
Talvez se soubesse o quanto sofrida
Agora se faz minha canção
Animasse a voltar
Então que a saudade é um jardim repleto
De cabinhos de margarida
Te confesso que minha satisfação
Seria te avistar
Chegando com todas elas numa cestinha
Ai, Aninha!

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Caymiano I

O barco já voltou pro cais
Cheio de peixe e de homem também
Eu gosto quando a onda vai
Mas melhor me faz quando ela vem
E já vou buscar o meu bem
Que a muito saiu pra pescar
Que ele possa encontrar na minha boca
O gosto doce que o mar não lhe dá
Sua pele bronzeada e quente
Na minha vem recostar
Não sei se a minha se esquente
Ou se a dele que vai abrandar...

SAFARI

Poderia mugir
e até gostaria
Todos iam rir
desta minha ousadia
Pois quem á sorrir
seu lado mais irracional revelaria ?
Deveria assim agir
e manter-me mais sadia
Pois o tigre de mim não para de rugir
E quanto mais o sufoca meu peito, mais ele promove a
sangria
Posso ainda alegria sentir?
Como definir minha covardia?
O medo de descobrir
Onde o animal de mim pode ir
ou enfim constatar onde o eu homem jamais iria?

Grampolla e Emanuel

Unhas coloridas de vermelho
Afagam, doloridas, o cabelo
De quem se aconchegou no colo dela
Esse alguém que lhe entrou pela janela
E pela porta portadora de desejos
Em seus lampejos
Talvez queira muito mais mandar-llhe embora
Mas trôpega assim, ofega e ora
Pela força que quer para colocá-lo pra fora
Como nada demais, porém, nada além acontece
Tudo o que existe naquela prece
Se dissipa no ar, antes da noite acabar
No outro dia
Aguarda ela com alguma alegria
A possibilidade sombria
De novamente esse alguém lhe chegar
Amanhã é um dia que não confirma presença
E sua ausência não permite nostalgia
Melhor que não lhe diga que voltará outro dia
Seria uma brincadeira sombria, embora não convença

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

S.O.S.

Tira a minha pele
Tira meu baton
Tira minha roupa
e me rouba
Mais um suspiro
de vida

Tira o meu sorriso
Tira meu motivo
Tira meu nome
e me tome
Dessa solidão
vadia

Vem meu amigo
Vem com seu laço
Vem com os punhos de aço
Me tira da garra do monstro
Me lança no espaço
de um abraço

Hoje eu não quero nada
Hoje não quero ninguém
Hoje eu quero o resgate
Te espero onde fiquei
com tudo o que restou
E não houve desgaste
nas coisas que ninguém amou
Palavras de ordem não deviam ser organizadas
Deviam sair em disparada
Como bois em manada
Explodidas e ovacionadas
Como fogos de artifício
A mistura da arte com o ofício
Que geram perplexicidade diante da beleza
Existindo de verdade
Palavras de ordem deveriam ter liberdade
Pra circular como ondas sonoras
Pra subir nas pernas das senhoras
Sobrivivendo á milhares de horas
ou, simplesmente desaparecer
Serem substituídas e melhoradas
Nunca morrer
Nem serem ignoradas
E o que dizem as palvras de ordem?
Bem não sei
Nem mal também
Porque eu não as digo
E raramente as ouço
Mas acredito
E louvo
Por algum motivo
Quero rugir minhas palavras de ordem
Para essa vida descompassada
Não se agarrar em mais nada

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Divagando devagar

Eles estavam certos
Não em seus acertos
Mas em seus erros
Porque os erros são campos repletos
Enquanto os acertos,vivem em verdadeiros desertos
Todos sabemos que como homens
Sozinhos não vivemos
Não podemos aturar a nos mesmos
Sofrer as consequências dos nossos próprios erros
Visto que se sofremos, fracos ficamos
E se outros fraquejam, solução procuramos
Afim de ser-lhes a salvação
Para que aliviem nossa culpa em perdão
Que este sublime, nos redime
Sendo preciso lembrar
Que também é preciso estar forte para perdoar
Daí a necessidade de uma intervenção
Eis que essa salvação oferecida
Pode significar a subordinação diferida
Condenação disfarçada
Oportuna e comedida...
Acerto, erro dependem da ângulação
Está no homem o ato
Está na vida o fato
Depende tudo da intenção
Deus e sua invenção

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Aureliano

Quisera ter as palavras do mundo
Mesmo que não possa dizê-las
Ainda que não deva comê-las
Quero seduzi-las
Ama-las
Como nunca amei mais nada
do que amei até agora
Como nunca me amaram
nem outro lugar, nem outra hora
São as palavras que me beijam
Movimentam minha língua
Elas que me descrevem bem
Dando rimas belas ás minhas ínguas
Palavras não deixam ninguém
É mentira pura dizer que está sem...
Ah!
As canções são palavras dançantes
Que valorizam os instantes e passam de mãos dadas
Mas não reparem...
Não precisam crer nessas minhas palavras
Elas podem dizerem-se caladas

Conversível em alta velocidade

Pego a estrada e vou saindo
Acho caminhos enquanto vou fugindo
Parto coisas, partindo
A procura de chuva pra exorcisar
Á mim mesma
Sobremesa do mundo
Ambulante bife á milanesa
Estou aprendendo a chorar e a sorrir
Vários idiomas e formas
Muitos preferem chegar á sair
Mas eu não me ligo ás normas
Saio de si, indignada volto pra mim
E quando não é assim
Saio de mim, fico feliz e volto pra aí
Prepara minha chegada
Que em mim ainda estou de partida
Em dúvida, entre mais uma parada
Ou mais um episódio da vida
Estou variada, não iludida
Por isso sua receptividade
Não vai me deixar comovida
Quero noite sem lua
Noite de chuva
Meu travesseiro vai se molhar
Paredes ressecadas ao redor
Vão ficar com dó da minha dor
Nada além do silêncio vão me ofertar
Como não estou comovida
Vou me jantar
Estar farta e satisfeita ao te encontar

domingo, 12 de agosto de 2007

A verdade me veio através do seus lábios
Achei que fosse brincadeira
Mas hoje consigo ver que não
Sempre estou rastejando pelo chão
Implorando aprovação de supostos sábios
Que sabem manter-me enceradeira
E o fazem por paixão
Ou por própria satisfação

As paredes são de chapisco
Por isso me esfolo
A constância da dor acostuma
Nem mesmo sei o porque desse risco
Não tenho seu colo
Mas me viro com a cama, a pluma e la luna.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

My Sagitário

Prometo não sofrer
Prometo não racionalizar
Não vou pensar
Quando você me tocar

De tudo entre nós
Isso é o melhor que pudemos nos oferecer
Evitar o pesar de tudo,quando ficamos a sós
Entregar-se ao querer...

Amanhecer

Vou buscar o sol
Pra colocar um pouco de luz nesses olhos
Quero olhar no fundo
Enfim saber o que que tem
Vou buscar o lençol
Pra afofar a cama
Quero alimentar a preguiça
adiar minha saída pro mundo
Afim de que essa não se adiante
Se tornando assim um pouco fora de hora
Tenho um encontro marcado com a vida
E é claro que ela vem me buscar todo dia
Antes que eu acorde, ela se deita comigo
Mas se ás vezes tenho vontade de mandá-la embora
tratando-a como puta
Em parte é por tolice pura
Em parte é por agonia e atecipação de tortura
Mesmo sob a suspeita disso não se discipar
O sol, eu vou buscar
Dar um bom dia aos amigos queridos
Avisar que talvez seja tarde
Sem causar alarde
Vivemos sob o mínimo grau de conscientização

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

De ponta em ponta


Na ponta dos pés

Na ponta dos cascos

Meus chinelos e casacos

Estimada xícara de café

Tenho coisas

E não te tenho

Uma estranha fé

Que faz com que me faça em cacos

Nos deitamos

Mas não nos levantamos juntos

Quase amo

Março ou junho

Ainda bem que saí pra caminhar

quarta-feira, 8 de agosto de 2007


Primeiro Passo

O primeiro passo é o mais titubiante
É o que mais arrepia
Seria ele o mais importante?
Será que dele dependerá a alegria?
Surpreende-me o quão grandioso pode se tornar um instante
Mesmo vivenciado rapidamente
Num pingo de tempo oscilante

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