Que mais poderia eu, além de exibir,Em minha carne crua, a fome
Que sinto pela sua
Perderei a vergonha na cara
E no resto
Quando vier ao meu encontro
Confesso
Sem prosa e sem verso
Só eu em você e você em mim
Nada generoso ou perverso
A realidade do cru
Sob a saboridade de nu
Agente sem cama e sem lençol
Expondo-se, feito cana sob o sol
Pedra, água, carne, erva
Se testando para saber o ponto
Que chegamos até que a alma se inerva
Que não nos seja estranho
As semelhanças com qualquer outro animal
Porém ressalva a diferença das coisas
Te gosto e te arranho
Me gosta e me arranha, de forma desigual
Vamos revelar nossa preferência
Por outros tipos de ilusão
Consideremos nossos corpos como um todo
Sem qualquer primazia ao coração
Vou te dizer o quanto gosto de tua língua
Sem constranger-te com alguma mágoa
Ou íngua
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