quarta-feira, 3 de outubro de 2007


Em um campo grande corre o vento

Entortando a grama alta

Fazendo-a virar e se revirar de um lado pro outro

Quase que faz enrugar o lago

Desprendendo folhas velhas que, tão teimosas,

Ainda se agarravam aos galhos

Assustando pássaros e outros miúdos animais

Beleza há mesmo na violência de sua violação

Transportando grãos de pólen e poeira

Parece besteira

Mas move morros e leva vida

E quando me vens como a brisa

Que já não tão leve anuncia

A tempestade breve ou o pesado temporal

Viola meus sonhos e torpes ilusões

Violenta as carnes de meu corpo

Disconsiderando a alma que fica dolorida

Mas em mim, comovida demais para perceber

Faz tanto bem quanto faz tanto mal

Que me sinto renascida, mesmo prestes à morrer

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