Criatura bizarra que mora no espelho
Onde você se esconde o dia inteiro?
Na garrafa do bar daquela rua
No cinzeiro, no isqueiro ou no cigarro?
No bigarro ou quando me agarro na privada do banheiro?
Não te vejo...
Mas eu sei que você sussurra me dizendo
Que posso voar
Te desejo e me convenço
Só percebendo nosso engano
Um segundo depois de pular
E no ar, nada mais nem além do aguardar o chão
Repensar a paixão, ruminar a dor
Com o poder de não ter como evitar a colisão
Talvez tenha optado pela fé, pois
Com religião ou não, ela se assemelha com um porre
Tanto no antes quanto no depois
Amarga ilusão á qual muitos de submetem
Consequências quase nunca se medem
Não estão organizadas numa fila por ordem de tamanho
Fecha os olhos, abre os braços e vai
Gozando e sorrindo até se dar conta de que cai
Aí, por mais que queira, não há nada á fazer
Deseja a morte por mais nada temer
A sua cabeça, sua culpa , sua sentença
Escolhida na hora da crença
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