quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Madame Butterfly

Pequenas borboletas voando na boca do estômago
O verão ardendo em minha janela
O mundo se revelando para minhas lentes
Aparelhos eletrônicos enlouquecendo
Amo muito tudo isso mas
Sempre fica uma pontinha
A pontinha de uma linha que a gente puxa
Esse puxão vai desfazendo a trama
E quando a trama se desfaz, debaixo dos nossos pés
Ai... ai...! Nada é como é
Tudo é sempre um pouco mais
Dançando entre flores e lama
Sem negligenciar a beleza do verão
Vou mentindo, pontinho por pontinho
E os pontinhos se juntam num quadro de paisagem pintada
Os quadros se emparelham e compõem um cenário
O cenário cresce ao redor, longo e alto
Quando me dou por mim, cadê o mundo?!
Está atrás de um muro que se tornou quase intransponível
Ou o resgate vem me buscar ou o muro desmorona
Me enterra
Mas as estrelas estão lá, no alto de um céu
Solitárias na observação do mundo
Recebem a visita de Papai Noel na noite de natal
E só
Foguetes e astronautas
No mais, a vida é uma eterna troca de olhares
Nada de tristeza ou alegria
Mesmo assim faz algum sentido
Mais fácil de entender do que borboletinhas vivas
Voando no estômago de alguém
Talvez elas não sejam pra serem compreendidas
Se tratando apenas de pequenas rimas
Em polvorosa, tentando se fazerem entender

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