O lado bom dos poemas de amor
São coisas como a beleza de uma flor
Você olha e quase não acredita
Ela é bonita demais
E os olhos do ser amado
São como dois lagos, ocenos, rios, manaciais
Largos, estreitos, profundos e rasos
Sempre cheios de ternura e paz
Porque a vida fica bem melhor
A gente sempre se sai bem
Como se já soubesse de cor
Nem se desconfia do momento que se aproxima
Á um ponto de rasgar toda a fantasia
Beber e comer, degustar tudo com igual heresia
A gente ingeri do mel ao féu
Vamos do inferno ao céu
Com a mesma urgência e rapidez
Quando enfim parece chegada a cura
A cabeça vai á loucura
Querendo amar outra vez
O lado bom dos poemas de amor
É que toda rima parece mais nobre
Pouco importa se rima com dor
Nem se espanta com o ardor que a encobre
Mas quem não ama parece sempre tão pobre
Ignorante, porém mais feliz
E amor se torna cada vez mais necessidade
Tanto que nem se lembra porque tanto se quis
Caminhar no sombrio de um triz
Ainda assim prosseguir
Ser justo, sincero e verdadeiro
Até quando ou se mentir
O lado bom dos poemas de amor
É a ampla, larga e quase infinita licença poética
Cada verso pulsa feito veia e interpreta como um ator
Com a força de tudo o que existe
Muito além de alegre ou triste
Ultrapassa a estética e desafia a ética
São tantas canções e tantas estações
Verdadeiras multidões
Que levam em suas mãos, como estandarte
Os próprios corações
Acelerando sem saber a direção
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