quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Conversível em alta velocidade

Pego a estrada e vou saindo
Acho caminhos enquanto vou fugindo
Parto coisas, partindo
A procura de chuva pra exorcisar
Á mim mesma
Sobremesa do mundo
Ambulante bife á milanesa
Estou aprendendo a chorar e a sorrir
Vários idiomas e formas
Muitos preferem chegar á sair
Mas eu não me ligo ás normas
Saio de si, indignada volto pra mim
E quando não é assim
Saio de mim, fico feliz e volto pra aí
Prepara minha chegada
Que em mim ainda estou de partida
Em dúvida, entre mais uma parada
Ou mais um episódio da vida
Estou variada, não iludida
Por isso sua receptividade
Não vai me deixar comovida
Quero noite sem lua
Noite de chuva
Meu travesseiro vai se molhar
Paredes ressecadas ao redor
Vão ficar com dó da minha dor
Nada além do silêncio vão me ofertar
Como não estou comovida
Vou me jantar
Estar farta e satisfeita ao te encontar

Um comentário:

Rogério Saraiva disse...

Seus versos me faz lembrar Ana Cristina Cesar... maravilha!! Me sinto a noite de chuva, o travesseiro molhado, paredes ressacadas sem janelas. É digna de um brinde.